A Barriga do Arquiteto. O Cozinheiro, o Ladrão, A Mulher e Seu Amante. Oito Mulheres e Meia. Tulse Luper Suitcases: The Moab Story. O Livro de Cabeceira.
A Árvore da Vida. Onde Vivem Os Monstros. Adeus, Lênin!.
O Conto da Ilha Desconhecida, de José Saramago. O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Ubik, de Philip k. Dick. As Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino.
Agosto não passou disso. Uma lista imensa.
Mostrando postagens com marcador pensamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pensamento. Mostrar todas as postagens
28/08/2011
01/08/2011
Acabaram as feritas. Finalmente.
A Vida é Bela. Com certeza.
Meia-noite em Paris. Muito bom, mesmo. WA.TOP.
Os Irmãos Cara de Pau. Sensacional, pra mim faz uma trinca com Magical Mystery Tour e O Guia do Mochileiro das Galáxias. Não sei por quê.
Encontrando Forrester. Muito bom.
Corra Lola, Corra. Fudido.
(500) Dias com Ela. Muuuito bom, esse e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças para mim são, geniais.
Foram 19 filmes. 42 dias.
caramba, eu ainda podia ter visto mais.
Meia-noite em Paris. Muito bom, mesmo. WA.TOP.
Os Irmãos Cara de Pau. Sensacional, pra mim faz uma trinca com Magical Mystery Tour e O Guia do Mochileiro das Galáxias. Não sei por quê.
Encontrando Forrester. Muito bom.
Corra Lola, Corra. Fudido.
(500) Dias com Ela. Muuuito bom, esse e Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças para mim são, geniais.
Foram 19 filmes. 42 dias.
caramba, eu ainda podia ter visto mais.
21/07/2011
Fêrias
Só pra listar alguns filmes: Beleza Americana, O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, Um Dia de Cão, Flipped, Estômago e Na Natureza Selvagem e JackAss 3D.
Todos, com exceção do Flipped e JackAss 3D, são muito bons, mas os em negrito são melhores. Depois eu escrevo qualquer coisa sobre eles.
Kaká, to te esperando para assistir Corra Lola, Corra. Hehehe
Kaká, to te esperando para assistir Corra Lola, Corra. Hehehe
06/07/2011
Pulp Férias
EXT - DIA - Entrada da faculdade
Ricardo, saindo da última prova, dia 21 de junho:
"Férias! Finalmente, chega daquela aporrinhação da faculdade! Vou fazer várias coisas, agora ninguém segura!"
INT - NOITE - No quarto
Ricardo, saindo da última prova, dia 21 de junho:
"Férias! Finalmente, chega daquela aporrinhação da faculdade! Vou fazer várias coisas, agora ninguém segura!"
É, acho que deu pra sentir como tá né? Até fiz várias coisas legais, mas não é todo dia, certo? Para isso, existem filmes. Na primeira semana eu não assisti nada, estava viajando. Agora, é quase um por dia.
Assisti Pi. E é fato, Darren Aronofsky se tornará o melhor diretor de todos os tempos. Agora eu assisti à 4 de seus 5 filmes, e este (de me fez sentir uma coisa que nunca tinha me acontecido antes, eu comecei a racionalizar tudo o que o filme carrega e representa e por consequencia quem é o Aronofsky, o que esse cara viu, leu, viveu, para fazer filmes assim, para poder criar algo tão complexo quanto seus filmes.
Assisti Oldboy, do Chan-Wook Park, de 2003, e é sensacional, não é à toa que o Tarantino gosta tanto. É feito de ação, crueldade coreana e um roteiro sensacionalmente construído, redondinho e muito bem executado.
Ricardo, saindo da última prova, dia 21 de junho:
"Férias! Finalmente, chega daquela aporrinhação da faculdade! Vou fazer várias coisas, agora ninguém segura!"
INT - NOITE - No quarto
Ricardo, sem nada pra fazer, blogando:
"EXT - DIA - Entrada da faculdade
"EXT - DIA - Entrada da faculdade
Ricardo, saindo da última prova, dia 21 de junho:
"Férias! Finalmente, chega daquela aporrinhação da faculdade! Vou fazer várias coisas, agora ninguém segura!"
É, acho que deu pra sentir como tá né? Até fiz várias coisas legais, mas não é todo dia, certo? Para isso, existem filmes. Na primeira semana eu não assisti nada, estava viajando. Agora, é quase um por dia.
Assisti Pi. E é fato, Darren Aronofsky se tornará o melhor diretor de todos os tempos. Agora eu assisti à 4 de seus 5 filmes, e este (de me fez sentir uma coisa que nunca tinha me acontecido antes, eu comecei a racionalizar tudo o que o filme carrega e representa e por consequencia quem é o Aronofsky, o que esse cara viu, leu, viveu, para fazer filmes assim, para poder criar algo tão complexo quanto seus filmes.
Assisti Oldboy, do Chan-Wook Park, de 2003, e é sensacional, não é à toa que o Tarantino gosta tanto. É feito de ação, crueldade coreana e um roteiro sensacionalmente construído, redondinho e muito bem executado.
Assisti Era Uma Vez no Oeste, do gênio Sergio Leone, de 1969. A sonorização da introdução é impressionante. Mas o que mais me impressionou foi o vazio dos personagens, para quê eles vivem, não sei se existe a resposta, mas todos esperavam a morte.
Assisti O Fabuloso Destino de Amélie Pouláin, de Jean Pierre Jeunet, de 2001. Este filme é lindo, tem uma das (se não a) fotografias mais bem feitas que eu já vi.
Assisti Efeito Borboleta, de 2004, que tem um roteiro excelente! O filme é animal, mas eu achei o final meio caído. Acredito que o filme não deveria fazê-lo voltar no tempo, se não, por que uma simples conversa sobre o passado não faria?
Assisti Matadores de Velhinhas, na tv, foi engraçado, a fotografia é muito boa e o roteiro é... Coen, e se é dos Irmãos Coen, é bom.
Assisti O Fabuloso Destino de Amélie Pouláin, de Jean Pierre Jeunet, de 2001. Este filme é lindo, tem uma das (se não a) fotografias mais bem feitas que eu já vi.
Assisti Efeito Borboleta, de 2004, que tem um roteiro excelente! O filme é animal, mas eu achei o final meio caído. Acredito que o filme não deveria fazê-lo voltar no tempo, se não, por que uma simples conversa sobre o passado não faria?
Assisti Matadores de Velhinhas, na tv, foi engraçado, a fotografia é muito boa e o roteiro é... Coen, e se é dos Irmãos Coen, é bom.
06/06/2011
O Andar da Carruagem
Continuando na onde de títulos toscos e minha vida resumida, aqui vai mais uma saraivada de porra na cara de vocês, seus viados! É brincadeira gente, é que deu vontade de escrever isso, ouçam Oração, da "Banda Mais Bonita da Cidade" e esqueçam. Ouçam Beirut também, Clint Mansell, Los Hermanos, Pública, além de todos os outros que eu citei em outros posts.
Desde o último post tive uma mega-ultra-maratona de trabalhos para a faculdade e dei uma reduzida no ritmo. Mas ainda assim assisti:
Touro Indomável, de Martin Scorsese [1980], que é sensacional em todos os aspectos, mas um se supera.
Se um dia eu abrir uma galeria de arte, com certeza terei uma exposição que sará cada um dos quadros do filme. Contando que são 24 quadros por segundo, são 60 segundos por minuto e são 129 minutos, isso dá cento e oitenta e cinco mil setecentos e sessenta quadros. Dá para ver tudo em um dia, não?
Se um dia eu abrir uma galeria de arte, com certeza terei uma exposição que sará cada um dos quadros do filme. Contando que são 24 quadros por segundo, são 60 segundos por minuto e são 129 minutos, isso dá cento e oitenta e cinco mil setecentos e sessenta quadros. Dá para ver tudo em um dia, não?
Réquiem Para um Sonho, de Darren Aronofsky [2000]. Quem é esse cara? O que é isso? Que filmasso, que precursor melhor podia Cisne Negro ter, se não esse? Eu torço por ele, que ele se torne o melhor diretor de todos os tempos, que ele continue a fazer filmes como esses dois, que estão na minha lista de favoritos.
Guia do Mochileiro das Galáxias, de Garth Jennings [2005]. Que história, Douglas Adams foi genial! O filme não é grande coisa como um produto audiovisual, mas as sacadas de Adams, todos os conceitos, tudo. Vou ler todos os livros. Agora.
Além disso, fui ao teatro, para ver a primeira peça dramática da minha vida. Oau. 12 Homens e Uma Sentença, isso mesmo, igual ao filme do Sidney Lumet. E São duas obras incríveis. A quantidade de conflitos existentes, a inteligência do roteiro, e as atuações, que atuações! O texto, clássico, é de Reginald Rose e a direção é de Eduardo Tolentino.
Li algumas outras coisas também. Acabei pela segunda vez O Poderoso Chefão, que é meu livro favorito, é um dos melhores livros de todos os tempos, é tão bom quanto o filme, cada um em sua área, claro. Queria ser neto do Mario Puzo. Também li Técnicas para a Produção de Idéias, de James Webb Young e Raciocínio Criativo na Publicidade, de Stalimir Viera. Ótimos livros, também.
E este ano finalmente consegui jogar algum jogo desde a oitava série. E todos ótimos: Mafia - City of Lost Heaven (para PC) tem uma das melhores trilhas sonoras de todos os tempos. Foi lá que eu conheci o Django Reinhardt; Godfather II (para PS3) também é muito bom, mas é muito fácil, prefiro o primeiro, para PS2; e agora estou jogando Red Dead Redemption, que é do caralho, mesmo.
so long and thank you for all the fishes.
02/05/2011
Resumo da Ópera
Bom, sumi de novo, mudei tudo por aqui de novo, vamos ver se agora emplaca nesse 2.5...
E muita coisa aconteceu, a faculdade tá da hora.
Desde o fim do ano passado, li Can't Buy Me Love, uma excelente biografia dos Beatles, apesar de achar a conclusão meio apressada; Admirável Mundo Novo (pela 2ª vez), de George Orwell, - não precisa dizer mais nada, né?; Continuo aos trancos e barrancos em O Senhor dos Anéis - As Duas Torres - eu leio umas 50 ou 100 páginas de uma vez e páro por meses; Redação Publicitária, um bom livro para quem está começando na área; De Moto pela América do Sul, de Ernesto "Che" Guevara; Os Piores Textos de Washington Olivetto, escrito pelo próprio - me sinto amigo dele agora; O Apanhador no Campo de Centeio, de JD Salinger - gostaria de ter lido uma vez mais novo e ler de novo agora, teria mais identificação, mas mesmo assim é excelente; e agora estou lendo um dos maiores romances de todos os tempos (pela 2ª vez, agora mais maduro): O Poderoso Chefão; Além de ter lido hoje uma HQ dos contos de Edgar Allan Poe: Histórias de Poe - O Escaravelho de Ouro | O Método do Dr. Alcatrão e do Professor Pena | A Queda da Casa de Usher; E ainda quero ler muitas coisas: mais Poe, mais Orwell, mais Olivetto, Dostoyévsky, Machado, Kafka, Exupery, Graciliano e um milhão de outras coisas....
Além disso, assisti outros filmes que não comentei aqui: Dogville, de Lars Von Trier; Ran, do Kurosawa; O Pequeno Nicolau, de Laurence Tirard; A Riviera não é Aqui, de Danny Boone; Letra&Música, de Marc Lawrence; Pure Country, de Christopher Cain; o Bravura Indômita original, de Henry Hathaway e outros filmes que já tinha assistido, como Scarface, a trilogia O Poderoso Chefão, Magical Mistery Tour, Pulp Fiction, O Lutador, Com 007 Viva e Deixe Morrer, Kill Bill e Amor à Queima-Roupa, e assisti toda a primeira temporada de Família Soprano.
Fui na virada cultural e ouvi jazz, reggae e o Beatles 4Ever!, não páro de ouvir Django Reinhardt, Quincy Jones, João Gilberto e Chico Buarque. Claro, sem nunca abandonar Bob Marley, Doors, Beatles e um pouco de sertanejo né, pra não perder a raiz. Dei uma mega-visitada no Parque do Ibirapura, visitando o Museu de Arte Moderna, a Oca e as obras nos arredores (como o teatro desenhado pelo Niemeyer) e o museu AfroBrasileiro. Claro que reservei um tempo para ficar de buenas na grama e outro para ficar observando todos os seres aquáticos do lago, com um destaque para os cisnes negros. Também visitei a exposição O Mundo Mágio de Escher, no CCBB, lá no centro de São Paulo, o que já vale a ida, o centro é uma brisa!
Fiz mais filminhos, que aqui serão postados em breve, e estou finalmente escrevendo um roteiro que sairá do lugar e virará um roteiro, não apenas uma idéia. Enfim, esse é o primeiro post que eu uso no blog como um diário virtual, mas vai para a categoria pensamentos. Nem coloquei tudo o que queria aqui pois não faz mais sentido. Mas não se preocupe, caro leitor imaginário, estará nos próximos posts.
fade to black
24/05/2010
LOST - This is the end my friend
Putaqueopariu! O que foi isso que eu acabei de ver? Foi lindo? Foi um marco na história da TV? Foi coisa de gênio? Foi foda de mais? Foi! Goddamn'it!
Eu não estou acreditando no que eu assisti nesses últimos 3 anos (assisti às primeiras 3 temporadas em DVD), é simplesmente a maior obra sobre a pessoas de todos os tempos! Sobre a vida, a morte e ressureição; redenção, relacionamentos, escolhas... é fantástico. A ilha não é a personagem principal, não existe bem e mal, só aquelas pessoas que viveram tudo aquilo e se encontraram. Não tenho nem palavras para descrever o quão fantástico Lost é.
[ATUALIZADO] O que eu achei foda nessa series finale foi a visão de vida e morte que nos foi passada. A morte não foi mais temida, e vista como um próximo passo. A vida - sofrida que eles tiveram, e convenhamos, quem não tem? - e o sofrimento foi vista como uma preparação para a morte, o que não significa o fim. E o "purgatório", os flash-sideways, uma maneira de encotrar quem mais se amou em vida.
Eu gostei muito dessa visão. Pois estive em um funeral recentemente e comecei a refletir sobre a morte, e elaborei algumas coisas parecidas com essas, de a vida sofrida ser uma preparação para outro passo. Antes que alguém fale de que isso é de tal religião, fui batizado e catequizado mas não sei QUASE NADA sobre a religião católica, não concordo com a igreja e criei uma crença própria, vou refletindo até achar o que me parece mais certo. [ACABA ATUALIZAÇÃO]
Certamente uma obra-prima, uma obra de arte! (nunca pensei que falaria isso). Lost é o 2001: Uma Odisséia no Espaço da TV, vai ser estudado no futuro. Pois, o que vale, é a PERGUNTA e a REFLEXÃO. Não são necessárias tantas respostas.
Lost não foi assistido, foi vivido.
Para mais informações acessem www.dudewearelost.blogspot.com, por que eu não estou em condições de falar sobre isso agora.
22/05/2010
Diários de Motocicleta [2004]
O que me chamou a atenção para assistir Diários de Motocicleta não é o fato de ele ser dirigido por Walter Salles, ser sobre Che Guevara, ser falado em espanhol ou ter concorrido em Cannes. O que me atraiu para vê-lo foi a viagem feita pela América do Sul, sem ser turística ou para compras. O que me é muito interessante.
Pouco sei sobre Che, mas esta obra adaptada de um de seus livros, "Notas de Viaje"; do livro de seu amigo e companheiro de viagem, Granado, "Con el Che por Sudamérica", me ajuda a desmistificar um personagem histórico, que virou mito e é cultuado por pessoas que não fazem vaga idéia do que ele fez, e por que.
Uma viagem intencionada à aventura e ao aprendizado, já que o destino final sempre fora uma colônia de tratamento de leprosos no Peru, Ernesto Guevara foi médico, e Granado, Bioquímico. O tom cômico inicial deu lugar a construção não de um mito, mas de uma pessoa, normal, com ideais bem definidos no que ele viu/viveu.
Quando Che passa a encontrar uma realidade que ele não conhecia na América do Sul (a qual ele só tinha informações de livros), ele começa a refletir sobre o que vê e a própria trilha sonora fica mais pesada, saindo das musiquitas "ai ai ai, arriba" para uma guitarra "meio puta".
A miséria de quem vive no continente, causado pela exploração do mais forte (colonizadores e ricos) e a hipocrisia até mesmo dos que cuidam dos leprosos, separando-se deles e usando luvas no convívio (lepra não é transmissível pelo toque) fazem com que Che pense sobre a possibilidade de uma América (do Sul) igualitária, unida e justa.
E ele demonstra traços do que virá a ser (nenhuma referência feita à um Che mitológico é feita) quando recusa usar luvas para tratar dos pacientes (fazendo com que adquira imediata simpatia dos doentes, assim como antipatia das freiras, que conduziam a colônia). Assim como quando ele atravessou o Rio Amazonas (em sua parte peruana, mais estreita e mais "leve") à nado, para a colônia de leprosos, para comemorar seu aniversário.
Outro trecho importantíssimo para o desenvolvimento dessa idéia é quando Che e Granado estão no meio de Machu Pichu. Che admira a sociedade "menos desenvolvida" que a construiu, um lugar em equilíbrio com a natureza, e a compara ironicamente a Lima (capital do Peru), uma cidade desigual e pobre, fruto espanhol (em uma cena um nativo de Cuzco, capital dos Incas, os chama de Inca-pacitados). Ainda lá, Granado divaga sobre uma revolução de forma pacífica (mais ou menos nessa hora começa o amadurecimento do filme) e Che diz "Não há revolução sem tiros".
À fotografia, à trilha sonora e as atuações de Gael García Bernal (Che) e DeLa Serna (Granado) eu digo: Bravo. O filme é tecnicamente impecável, e seu enredo não toma partido, apenas mostra a construção (ou desconstrução) de Che, que mais tarde viraria o mito que todos conhecem e nada sabem.
07/04/2010
Pensamento #02 - A Revolução dos Bichos
Acabei de re-ler o fantástico livro de George Orwell, A Revolução dos Bichos, publicado em 1945, é uma sátira à União Soviética (e ao Stalinismo, a corrente de pensamentos por Stálin). O livro tem muitas má-interpretações em relação à fatos históricos, além de aqui no Brasil, comigo pelo menos, é dado como leitura infanto-juvenil (eu li na 7ª série!) ou seja, para pessoas que não tem a mínima capacidade de compreender o que a obra quer dizer.
A trama começa quando o velho porco Major conta aos animais da Granja do Solar sobre um sonho que teve, no qual os animais eram livres da escravização dos humanos, quando eles são iguais e trabalham somente para si. Propôs um hino que manteria a idéia de revolução na cabeça dos bichos (Bichos da Inglaterra), pois ela poderia acontecer em um dia, um ano, dez ou com outra geração. E o velho Major morre 3 dias depois.
A revolução, contudo, veio mais cedo do que o imaginado, e liderados pelos porcos (os bichos mais inteligentes da granja), os animais expulsam o Sr. Jones da fazenda e tomam o controle. E dois porcos se destacam no comando: Bola-de-neve e Napoleão, brilhantes (talvez só Bola-de-Neve o fosse), mas nunca concordavam. E eles escrevem os 7 mandamentos, que dizem basicamente que é proibido fazer as mesmas coisas que homens (beber, dormir em camas, usar roupas, matar...).
O primeiro erro comum que todos fazem é relacionar Major à Lênin. Major na verdade é Marx, o idealizador do socialismo, que não participou da revolução. Orwell preferiu omitir Lênin da história pois naquela época não havia uma grande distinção do Leninismo e do Stalinismo, sendo muitas vezes confundido, o que causaria uma confusão no livro.
O fato de que Bola-de-Neve é Trotsky; e Napoleão, Stálin, é sabido. Pois Napoleão é contra os pensamentos de Bola-de-Neve, assim, expulsa-o da granja (num golpe, ou armação), difama-o e altera a história real (veremos mais para a frente) e toma o poder para si. Um fato que ninguém nota é que os cachorros de Napoleão representam a NKVD, a inteligência russa, mãe, ou avó, da KGB.
Várias outras relações podem ser feitas entre personagens: os cavalos, que aceitam tudo acreditando "cegamente" nos dirigentes são o proletário; o corvo que conta histórias sobre um paraíso após a morte, que mesmo desmentido pelos porcos, tem sua autorização e ainda é alimentado pelos mesmos é a Igreja Ortodoxa; a Égua que era mimada pelo Sr. Jones (O czar) é a pequena parte da burguesia, que vazou da Rússia com a revolução.
Além disso também temos eventos da URSS no livro. Como a batalha do estábulo, quando o Sr. Jones tenta retomar a granja e é expulso: Guerra Civil. Até a 2ª Guerra, quando Herr Adolph Hitler invade a rússia, faz uns danos e é expulso é claramente representada: são os vizinhos da granja que a invadem e explodem o moinho-de-vento.
E os porcos vão ficando cada vez mais absolutistas, mais parecidos com o Sr. Jones, mas sempre passando a impressão (senão convencendo) os bichos, de que tudo estava melhor. A propaganda absolutista é tamanha que eles mudam fatos que eram claros na cabeça dos bichos, como os sobre Trotsky, assim como Stálin o fez, retirando suas fotos ao lado de Lênin e se colocando no lugar.
E por fim, a reunião entre homens e porcos, onde era impossível distingui-los. Essa cena final é erradamente entendida como uma "equivalencia" entre capitalismo e comunismo. Mas, segundo Orwell, é uma referência à congregação de Teerã, quando se reuniram Churchill, Stálin e Roosevelt, primeiramente com a intenção de uma colaboração no pós-guerra, mas foi bem previsto pelo autor: acabaria com treta entre eles.
A Revolução dos Bichos é uma crítica ao "mito soviético", e Orwell queria fazer as pessoas se lembrarem do "verdadeiro socialismo", o pensado por Marx, Lênin e Trotsky. O livro é fabuloso, qualquer um que ler, gostará, seja pela história, pelos bichinhos ou pela inteligência com que foi escrita.
EXTRA POST
Existe um filme que eu ainda não vi, de 1999. Quando assistir eu completo nesse post.
15/03/2010
Pensamentos #1 - Vidas Secas
EXT - DIA - Nordeste brasileiro, região semi-árida: tudo que se vê é areia. Uma família de 4 pessoas, um papagaio e uma cadela vira-lata pequena andando. A mãe carrega uma espécie de baú na cabeça, um filho de 4 anos e o papagaio, na gaiola; o Pai leva a espingarda e um alforje. O outro filho de 7 anos levava uma trouxa na cabeça. Nenhuma palavra.
Esta seria a abertura de Vidas Secas, obra de Graciliano Ramos, num filme. O livro segue mais ou menos essa toada até o fim, com pouquíssimos diálogos, por conta da condição social da família, que não sabe se expressar, posi tem um vocabulário muito pobre. Com certeza seria um filme muito difícil de ser feito, e o único que vem na minha cabeça que chega perto disso seria o filme que eu mais comento nesse blog: 2001 - Uma Odisséia no Espaço. Agora, imaginem: Vidas Secas (Dry Life's) por Stanley Kubrick. Seria um tanto bizonho.
Sempre quando leio um livro eu o imagino como um filme, todos fazem. Só que eu imagino cenas, atos, falas e, especialmente, o roteiro. E Vidas Secas, meu livro do momento (comecei a ler para a escola) é um livro que eu simplesmente pensei "ok, esse aqui é um que não dá para filmar", mas bem que eu queria morder a língua assim como todos que falaram o mesmo de O Senhor dos Anéis.
Esta obra de Graciliano Ramos é, na minha opinião, impossível de ser filmada pelo fato de conter pouquíssimos diálogos, ser muito arrastado e também pela principal qualidade do livro: ele te coloca dentro de cada personagem. E isso é literalmente, pois nos capítulos que se tratam dos filhos, você lê e se sente como eles. A forma como foi escrita te faz revisitar todas as suas lembranças daquela época, que são como flashes, meio turvas e não muito certas. A não ser que fosse uma obra um tanto quanto psicodélica - no sertão, que ficaria demais. E mesmo sendo assim seria muito difícil se obter um bom resultado.
Na verdade existe sim um filme de Vidas Secas, muito fiel ao livro inclusive. Foi filmado na década de '60, em preto e branco, com um orçamento baixíssimo e a qualidade de áudio e imagens - fora as atuações - de dar pena.
********************************
Ok, na verdade eu acabei de me fuder. Desculpem o palavreado, mas é que foi bem tenso. Pesquisando sobre o filme aqui, descobri que parece ser um dos maiores filmes brasileiros, indicado à Palma de Ouro em Cannes e considerado um dos precursores do novo-cinema brasileiro. Queimei a língua foda.
Agora, preciso assistir este filme pois só vi os primeiros 10min e dormi (na aula). Não sei se a má-qualidade era culpa da gravação ou se o filme era assim mesmo. Se for, claro, por problemas técnicos/financeiros, ainda é difícil de ouvir!
Bom, minha teoria foi por água abaixo, eu ainda ia falar que se fosse cineasta quereria gravar filmes como este, Capitães da Areia e O Cortiço (mesmo que já tenham sido filmados). Ia falar que até tenho vontade de ter uma cadelinha e nomeá-la Baleia, por causa de Vidas Secas. Mas já chega por hoje. Assistirei o filme até o final e depois eu comento de novo.
fade to black
Assinar:
Postagens (Atom)