22/07/2011

Beleza Americana, de Sam Mendes [1999]

(clique na imagem para ampliar)

Um filmasso do Sam Mendes. Muito irônico, critica o american way of life que nós, tupiniquins, meio que adotamos. Tudo precisa ser lindo, perfeito, harmonioso. Ou melhor, tudo precisa parecer, por isso a câmera é muito importante. Ela é o olho do outro, por isso é preciso estar bem para ela. Repare no "It's always sunny in snapshots".

O cartaz que eu fiz quis brincar com isso. Utilizando uma propaganda vintage, daquelas antigas, para dar uma maior ênfase à parada do estilo de vida. Essa é uma propaganda real, da Kodak, de 1949. Eu só retirei o logotipo da Kodak do topo e coloquei o da DreamWorks, ao contrário e sem nome, para dar uma brincada, pois esta é do Spielberg, e sempre passa uma mensagem meio direitista. Mas que bom que ele apoiou o Beleza Americana (afinal, não é um executivinho qualquer, é o Spielberg).

Ainda tem uma paradinha. As cores de Beauty não estão lá à toa, são para te fazer prestar um pouco mais de atenção nesta(s) palavra(s).

21/07/2011

Fêrias

Só pra listar alguns filmes: Beleza Americana, O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, Um Dia de Cão, Flipped, Estômago e Na Natureza Selvagem e JackAss 3D.

Todos, com exceção do Flipped e JackAss 3D, são muito bons, mas os em negrito são melhores. Depois eu escrevo qualquer coisa sobre eles.

Kaká, to te esperando para assistir Corra Lola, Corra. Hehehe

06/07/2011

Pulp Férias

EXT - DIA - Entrada da faculdade

Ricardo, saindo da última prova, dia 21 de junho:
"Férias! Finalmente, chega daquela aporrinhação da faculdade! Vou fazer várias coisas, agora ninguém segura!"

INT - NOITE - No quarto

Ricardo, sem nada pra fazer, blogando:
"EXT - DIA - Entrada da faculdade

Ricardo, saindo da última prova, dia 21 de junho:
"Férias! Finalmente, chega daquela aporrinhação da faculdade! Vou fazer várias coisas, agora ninguém segura!"


É, acho que deu pra sentir como tá né? Até fiz várias coisas legais, mas não é todo dia, certo? Para isso, existem filmes. Na primeira semana eu não assisti nada, estava viajando. Agora, é quase um por dia.
Assisti Pi. E é fato, Darren Aronofsky se tornará o melhor diretor de todos os tempos. Agora eu assisti à 4 de seus 5 filmes, e este (de me fez sentir uma coisa que nunca tinha me acontecido antes, eu comecei a racionalizar tudo o que o filme carrega e representa e por consequencia quem é o Aronofsky, o que esse cara viu, leu, viveu, para fazer filmes assim, para poder criar algo tão complexo quanto seus filmes.
Assisti Oldboy, do Chan-Wook Park, de 2003, e é sensacional, não é à toa que o Tarantino gosta tanto. É feito de ação, crueldade coreana e um roteiro sensacionalmente construído, redondinho e muito bem executado.
Assisti Era Uma Vez no Oeste, do gênio Sergio Leone, de 1969. A sonorização da introdução é impressionante. Mas o que mais me impressionou foi o vazio dos personagens, para quê eles vivem, não sei se existe a resposta, mas todos esperavam a morte.
Assisti O Fabuloso Destino de Amélie Pouláin, de Jean Pierre Jeunet, de 2001. Este filme é lindo, tem uma das (se não a) fotografias mais bem feitas que eu já vi.
Assisti Efeito Borboleta, de 2004, que tem um roteiro excelente! O filme é animal, mas eu achei o final meio caído. Acredito que o filme não deveria fazê-lo voltar no tempo, se não, por que uma simples conversa sobre o passado não faria?
Assisti Matadores de Velhinhas, na tv, foi engraçado, a fotografia é muito boa e o roteiro é... Coen, e se é dos Irmãos Coen, é bom.

06/06/2011

Google Art Project - Monalan

Este é um trabalho que tive que fazer para a faculdade. Todas as informações que tínhamos era: crie um anúncio e um comercial com o tema "mais cultura, mais visão". Escolhemos então dois anunciantes, o Masp e o Google Art Project, uma para cada "modalidade", respectivamente.
Ambos os trabalhos foram feitos a varias mãos. No anúncio eu participei da concepção e da arte final, e do comercial eu participei da concepção, do roteiro, da filmagem (meio que dirigindo e como câmera algumas cenas) e a montagem final fui eu quem fiz. Claro que nada teria acontecido sem o grupo, desde a idéia até a execução. Por coincidência, na hora que estávamos gravando no metrô encontramos com um freela da agência estado, e nosso trabalho virou notícia no R7 e também repercutiu no blog da faculdade.




*Meu arquivo do anúncio corrompeu, quando eu recuperá-lo posto aqui.

O Andar da Carruagem

Continuando na onde de títulos toscos e minha vida resumida, aqui vai mais uma saraivada de porra na cara de vocês, seus viados! É brincadeira gente, é que deu vontade de escrever isso, ouçam Oração, da "Banda Mais Bonita da Cidade" e esqueçam. Ouçam Beirut também, Clint Mansell, Los Hermanos, Pública, além de todos os outros que eu citei em outros posts.

Desde o último post tive uma mega-ultra-maratona de trabalhos para a faculdade e dei uma reduzida no ritmo. Mas ainda assim assisti:
Touro Indomável, de Martin Scorsese [1980], que é sensacional em todos os aspectos, mas um se supera.
Se um dia eu abrir uma galeria de arte, com certeza terei uma exposição que sará cada um dos quadros do filme. Contando que são 24 quadros por segundo, são 60 segundos por minuto e são 129 minutos, isso dá cento e oitenta e cinco mil setecentos e sessenta quadros. Dá para ver tudo em um dia, não?

Réquiem Para um Sonho, de Darren Aronofsky [2000]. Quem é esse cara? O que é isso? Que filmasso, que precursor melhor podia Cisne Negro ter, se não esse? Eu torço por ele, que ele se torne o melhor diretor de todos os tempos, que ele continue a fazer filmes como esses dois, que estão na minha lista de favoritos.

Guia do Mochileiro das Galáxias, de Garth Jennings [2005]. Que história, Douglas Adams foi genial! O filme não é grande coisa como um produto audiovisual, mas as sacadas de Adams, todos os conceitos, tudo. Vou ler todos os livros. Agora.

Além disso, fui ao teatro, para ver a primeira peça dramática da minha vida. Oau. 12 Homens e Uma Sentença, isso mesmo, igual ao filme do Sidney Lumet. E São duas obras incríveis. A quantidade de conflitos existentes, a inteligência do roteiro, e as atuações, que atuações! O texto, clássico, é de Reginald Rose e a direção é de Eduardo Tolentino.

Li algumas outras coisas também. Acabei pela segunda vez O Poderoso Chefão, que é meu livro favorito, é um dos melhores livros de todos os tempos, é tão bom quanto o filme, cada um em sua área, claro. Queria ser neto do Mario Puzo. Também li Técnicas para a Produção de Idéias, de James Webb Young e Raciocínio Criativo na Publicidade, de Stalimir Viera. Ótimos livros, também.

E este ano finalmente consegui jogar algum jogo desde a oitava série. E todos ótimos: Mafia - City of Lost Heaven (para PC) tem uma das melhores trilhas sonoras de todos os tempos. Foi lá que eu conheci o Django Reinhardt; Godfather II (para PS3) também é muito bom, mas é muito fácil, prefiro o primeiro, para PS2; e agora estou jogando Red Dead Redemption, que é do caralho, mesmo.


so long and thank you for all the fishes.

04/05/2011

O Lutador, de Darren Aronofsky [2008]

(clique para ampliar)

Este é o Randy "The Ram" Robinson do começo do filme. Um homem que se encontrava no topo de seu próprio mundo, inacessível em sua fortaleza, o ringue. Até que compreende que sua vida estava de cabeça para baixo, de que ele estava só e perdido, que não era o hércules que imaginava, nem nenhum outro Deus grego, que trabalhava muito para sustentar sua vida nos ringues amadores, uma ilusão que sustentava o nome de dias outrora gloriosos.

"O carneiro é o símbolo do masculino, viril e vital, é o primeiro signo do zodíaco, é fogo inicial, a pura energia criadora, de impulsos primários, de natureza poderosa e precipitada, tumultuosa e compulsiva, que vive cada momento de forma desenfreada, seguindo suas emoções mais fortes.

Isso é o que Randy é. É um ser humano perdido, solitário, que não se encontra a não ser no ringue, onde pode dar até sua vida em busca de um sentido, de glória e triunfo, mesmo na tragédia.

Semiótica

Meus caros, eu estava fazendo análises semióticas aqui e nem sabia... pois bem. Tive um trabalho recentemente na faculdade no qual eu deveria criar um cartaz analógico (ao contrário de digital, no sentido de mensagem) para o nosso querido Laranja Mecânica. O que queria meu professor? Um cartaz no qual fosse possível fazer uma leitura e que remetesse ao filme com o mínimo de signos do filme possível, isto é, quanto menos objetos/elementos do filme aparecerem, melhor. Fazer uma laranja com engrenagens estava completamente fora de cogitação. Acompanhe aqui a evolução dos meus cartazes:
Beethoven com os cílios de Alex. Representa algo virtuoso, clássico, com um signo de violência, que não se encaixa na imagem. Esta imagem que está e não está em alto contraste, está e não está meio que rascunhado. O homem não é nem branco nem preto, é cinzento, e nunca será apenas "uma idéia", mas ainda não é uma "obra completa".
A fonte do título varia entre o clássico e o pop, com formas bem arredondadas. Ela se repete nos próximos cartazes e corroboram as idéias descritas no parágrafo superior.

O segundo cartaz tem um conceito parecido com o do primeiro. Nele, o classicismo da música está constrastando com o vermelho-sangue da violência, e assim os cílios podem encaixar-se perfeitamente criando uma harmonia na imagem.
Para este cartaz eu iria utilizar um sangue escorrendo na folha e a clave de sol com os cílios estariam em branco, recortando o sangue. Achei que o background em vermelho representava a mesma coisa, só que com mais sangue, afinal, ele cobre a folha inteira, e é mais elegante. O que é fundamental num filme do Kubrick.

Creio que estes dois primeiros cartazes tiveram os conceitos mais fracos e são um tanto quanto digitais, pois possuem os signos do filme e não é necessário pensar muito para relacioná-los. Entretanto, de todos os que eu fiz, achei os mais bonitos. O primeiro por conta do excelente desenho que eu achei no deviantart de um usuário chamado unknownartist e o segundo, que foi inteiramente criado por mim, gostei pela simplicidade, e achei que ficou bem bonito.

O terceiro cartaz é uma variação do segundo, com mais informações, mas com mais signos, e este foi o motivo dele não ter sido o escolhido.
A clave de sol com os cílios tem o mesmo significado do segundo cartaz, contudo, ele está diluído num copo de leite, o que nos remete imediatamente à abertura do filme. O leite é um signo de pureza, e este misto de violência com música clássica mancham-no. Podem ser interpretadas como as drogas que Alex e seus drugies tomam com leite. Já que Laranja Mecânica começa com seus paradoxos pelo nome, esta imagem representa vários paradoxos contidos no filme. Drogas e pureza, rebeldia e inocência, classe e violência.
Então, criei o quarto cartaz numa madrugada. Era uma idéia que eu já havia tido, mas queria realizá-la em fotografia, mas alguns aspectos técnicos e logísticos me impediram de realizar meu desejo, então, driblei-os e utilizei um efeito que agora considero mais interessante, que é misturar desenho (que eu fiz pelo mouse no Illustrator) com imagens que eu achei na internet. Mudei a fonte também, pois ela precisaria entrar como elemento de interpretação, o que não estava acontecendo até então.
Este cartaz é espetacularizado, e quer deixar claro isso, que é apenas uma representação, por sua mistura de características, assim como o filme quer deixar claro que é só um filme, uma representação da vida. Segundo as palavras do próprio Alex "a vida parece bem mais colorida se vista pelo cinema".

Aqui, temos em primeiro plano um suporte daqueles usados em marionetes (estilo Poderoso Chefão) no chão, caído, com as cordas cortadas e sangue. Atrás dele vemos um homem sendo aplaudido por uma multidão, entretanto, suas mãos estão sujas de sangue. O que isso quer dizer?

No final do filme, ao realizar-se da hipocrisia do mundo, Alex entende que o único jeito de ser completamente livre como quer é aparentar para a sociedade ele continua "na linha", assim ele se imagina transando com a ninfa e os espectadores indiferentes, deixando-o usufruir de seu prazer à vontade. Então Alex destrói o controle que havia sobre ele, corda as cordas que o prendiam, mas continua passa a ser aplaudido, já que ele fizera um acordo com o primeiro-ministro. Ele finalmente "se curou". Alguns pedaços das cordas que o prendiam caem no chão e formam o título e o nome de Kubrick, já que o filme é justamente esse meio termo, é a jornada de Alex entendendo como o sistema funciona.

Em seguida tive que criar um texto comparando Dogville, de Lars Von Trier [2003] com Assassinos por Natureza, de Oliver Stone [1994] (e a história do Tarantino) em uma folha apenas. Este será copiado na íntegra:

O Poder da Escolha

Obras grandes, que não se prendem ao seu veículo e respeitam a inteligência do espectador. Dogville, de Lars Von Trier, se utiliza de recursos do teatro e da literatura, enquanto Assassinos Por Natureza, de Oliver Stone, utiliza variados recursos televisivos. Ambos os filmes buscam o mesmo efeito: afastar-se da realidade para terem seus impactos aceitos pelo público, caso contrário este não enxergaria seu reflexo na tela grande.

A sociedade é masoquista. É isso o que representa toda a sensacionalização midiática quanto à violência, um prazer em se ver sofrer. Grace pode não ter prazer, mas após o primeiro estupro ela se acostumou e passou a aceitar os abusos que recebia, e ao receber a oferta de verdadeiro prazer de Tom Edison, ela recusa, assim como a sociedade recusa ideologias e reformas dos filósofos, utópicas ou não, e estes aceitam a recusa.
Grace observa os atos dos habitantes de Dogville como fruto de seu meio, como se lá não estivesse inserida, ela culpa as circunstâncias, se julgando a própria Graça Divina, que a todos entende e perdoa. Já Mickey e Mallory Knox compreendem o meio em que vivem, e argumentam não estar dando às suas vítimas mais do que merecem.
Para o casal de Oliver Stone, a sociedade camufla seus atos, mata todos os seres da floresta e a própria floresta e chama isto de industrialização. Entretanto, eles não assumem uma posição de justiceiros da sociedade, apenas escolhem e aceitam ser o que são, eles "vivem o demônio", e quando o xamã, representante das instituições - religiosas ou políticas, tenta tirar isto deles, eles o matam e preservam o poder da escolha, arcando com as consequências.
Quando Grace compreende que todos tiveram a escolha de fazer o que fizeram, ela aceita seu lado cão e segue seu instinto, vingando-se de todos que lhe fizeram mal, e do que nada fez e permaneceu apático, especialmente.
Os filmes não deixam uma mensagem para o espectador se tornar mau e violento, apenas diz que todos têm um lado cão. Buscar um equilíbrio entre o Ying e o Yang é essencial. Segundo Freud “aceitar seu lado cão é humanizar-se”.
Quando sair a nota eu comento aqui, em breve surgirão mais cartazes. Gostei tanto da brincadeira que repetirei com outros filmes que eu gostar. Já posso adiantar que vem um aí d'O Lutador, do Aronofsky.

fade to black