31/03/2010

Balanço do Mês: Março & Fevereiro (Especial)

Começo aqui um post de final de mês com rápidos comentários e uma "nota" para os filmes, especialmente esse mês será de março e fevereiro, já que o menor mês do ano não teve isso. Então, vamos à um ótimo mês de filmes! Gostei de todos! Podia ser sempre assim!
Em ordem de data do post, e a nota, em estrelas, de 1 à 5.
(1 - péssimo; 2 - médio; 3 - bom; 4 - muito bom; 5 - tá na história)

#1. Avatar (2009, James Cameron) - 5 Estrelas
Foda! Na minha opinião deveria ter levado o Oscar, pois hoje mesmo pensei: Guerra ao Terror ganhou!? Não que seja ruim, mas acho que até Bastardos Inglórios merecia mais.

#2. 2001 - Uma Odisséia No Espaço (1968, Stanley Kubrick) - 5 Estrelas
Clássico, um dos maiores filmes de todos os tempos!

#3. Star Trek (2009, JJ Abrams) - 4 Estrelas
Maior bilheteria do começo de 2009, ganhou um Oscar (maquiagem) e é muito divertido, acabou com meu preconceito com a série.

#4. O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus (2010, Terry Gilliam) - 3 Estrelas
Muito bom, surrealista, gostei bastante, mas a história eu acho que se enrola um pouco no fim.

#5. O Fantástico Sr. Raposo (2009, Wes Anderson) - 4 Estrelas
Fantástico! Esse filme é muito bom! Pretendo ver de novo nesse feriadão, eu adorei, tenho até a trilha sonora agora, que é espetacular!

#6. Cantando Na Chuva (1952, Gene Kelly) - 5 Estrelas
Sensacional. Outro grande clássico, com uma das músicas mais famosas do cinema (música, e não trilha!). Realmente merece seu lugar num Top 10 Greatest Ever.

#7. 9 - A Salvação (2009, Shane Acker) - 3 Estrelas
Ótima animação, mais uma que não é para crianças. Muito inteligente e ótimo visual.

#8. Os Cowboys (1972, Mark Rydell) - 3 Estrelas
John Wayne em uma atuação estupenda! O filme é leve, sessão da tarde da década de 80, com o final politicamente incorreto. Muito bom.
*Nota: A sessão da tarde já passou filmes muito bons!

O único filme que eu vi e não postei nada sobre ele no blog é Toy Story, mas farei um mega post sobre os 3 quando o terceiro for lançado. Fora isso, todos os filmes que eu vi no mês estão aí. Uma média boa, considerando que o único visto em fevereiro foi Avatar, mas ainda tem Toy Story, dá uma média de dois filmes por semana!

28/03/2010

Os Cowboys [1972]

Se alguém fala em faroeste, o nome que vem mais rápido à cabeça é o de John Wayne. O primeiro Machão do velho oeste é uma referência, até quando o assunto é fim de carreira. Em Os Cowboys, o Sr. Wayne faz o que posteriormente fariam Clint Eastwood em Gran Torino e Sylvester Stallone em Rocky Balboa: um filme de "aposentadoria". E apesar de não ser seu último filme, ele se despede orgulhosamente.

Wil Anderson (John Wayne) é um velho rancheiro do velho oeste americano, que ao querer transportar seu gado para vender na outra cidade, descobre que seus velhos parceiros foram todos em busca de ouro. E para resolver seu problema contrata pré-adolescentes entre 11 e 15 anos para ajudá-lo.

Lendo a sinopse, parece ser uma trama simples, das mais leves até, por ser um filme com crianças, bandidos e bangue-bangue. Entretanto elas são melhores do que parece, e apesar do final ser bem fantasioso, é um ótimo filme.

A começar pela atuação de John Wayne, fantástica. As crianças são carismáticas, como o velho cozinheiro Nightlinger (Roscoe Lee Browne). A fotografia é excelente, afinal, western com fotografia ruim não é um western de verdade. O roteiro é redondo e trilha sonora é envolvente.

No filme vemos a história de Wil Anderson, o velho cowboy durão. No começo só sabemos que ele é casado, mas depois descobrimos que ele perdeu dois filhos por "falta de jeito". E é esse "jeito" com as pessoas que marca a evolução de seu personagem. Ao ter/querer transformar aqueles garotos em homens, Wil se torna mais próximo, se tornando um pai para eles (no sentido de mestre, pois eles tinham suas famílias, não eram menores abandonados não) e no fim se entregando, pois "completara sua missão".
O amadurecimento das crianças é outro tema importante do filme, já que eles tem seu "primeiro porre" e uma aproximação com a sexualidade. Sendo que no final do filme eles já são homens. Esse final do filme aliás (vou contar, pra vocês entenderem: as crianças matam os bandidos) é criticado por alguns, mas eu gostei, pois mostra que eles aprenderam exatamente o que lhes foi ensinado, a cena mostra isso. Além de ser totalmente politicamente incorreto, o que faria esse final infilmável hoje em dia, que é para mim, mais um ponto positivo: a audácia.

O bandido do filme é realmente odiável - ele me lembrou o Luther, de The Warriors - e a cena em que ele (ATENÇÃO SPOILER!) mata John Wayne é comovente, não por ele matar, mas por John se entregar, completando o ensinamento dos jovens e se "redimindo" com a vida. O fato de todos os tiros serem dados pelas costas só piora a situação.

Os Cowboys é um filmasso pra quem gosta de westerns. Divertido e muito bem feito, com uma despedida impecável de John Wayne (até a parte que ele morre, depois o filme realmente dá uma caída) fará qualquer um ir atrás de mais filmes Do Cara. Eu irei.

PS: Eu sei que os irmãos Wachowsky eram viciados em mangás, ficções-científicas e kung-fu. Mas será que também poderia adicionar-se Os Cowboys à lista de referências em Matrix? Pois no filme é dito em alto e bom som a famosa frase: "Mr. Andersen".

25/03/2010

9 - A Salvação [2009]

[INT - DIA] Casarão de dois andares da década de 70, cheio de janelas, muito iluminado. Duas pessoas saem de uma sala e andam pelo corredor.

PESSOA 1
Muito bom o filme né?
PESSOA 2
Muito, muito bom. Meio american way of life, mas genial.

Os dois vão descendo a escada e se dirigindo à grande porta branca da frente

PESSOA 2 (CONTINUANDO)
Você viu segunda guerra nele?


Assim começou a conversa com um amigo meu (seria o Pessoa 2) e ele desenvolveu uma "análise" que era justamente o que eu pretendia ver nos filmes quando comecei este blog. Portanto Neuba, tomei a liberdade de escrevê-la aqui, pois concordo com essas coisas que você disse. Contém SPOILERS!
9 é o longa de um curta do mesmo diretor, que concorreu ao Oscar de Melhor Curta em 2006. Shane Acker fez a primeira versão como o trabalho de conclusão da faculdade, e para fazer a versão longa-metragem teve a ajuda do nada-mais-nada-menos Tim Burton.

E o filme combina com Tim, sombrio, personagens estranhos, inclusive o 6, que se parece muito com ele, ou pelo menos Edward Mãos-de-Tesoura. O mundo pós-apocalíptico se parece muito com Matrix, com a diferença que os humanos foram mesmo dizimados.

O plano filosófico ou mesmo as explicações para a trama tardam para aparecer, no começo parece mais um filme de animação/ação, entretanto eu esperava as explicações, e quando elas vieram, foram satisfatórias.

Os 9 bonequinhos são a alma do cientista maluco que iniciou a guerra homem vs. máquina - e terminou. A mesma idéia de dividir a alma, que aparece em Harry Potter - as horcruxes de Valdemort. Mas também antes: o um anel, de Sauron, do Senhor dos Anéis.

Cada bonequinho representa uma característica do cientista: 1 é a fé, a crendice; 2 é a criatividade; 3 e 4 eram gêmeos, eram a inteligência, a necessidade de aprendizado, afinal, era um cientista; 5 é a amizade; 6 é a perspicácia, a veia artística; 7 é a coragem; 8 a força; E 9 a liderança, meio que um mix de todas.

Primeiramente vamos a fatos explicitamente mostrados na película. A referência do chanceler do país em que se passa o filme com o Nazismo é óbvia, assim como o cenário do filme reflete a Alemanha pós-guerra.

Agora, o que eu achei interessante foi a interpretação que meu caro amigo Pessoa 2 (Neuba) fez: A guerra entre humanos e máquinas foi a primeira guerra mundial. E mesmo os humanos tendo perdido, também não parece que as máquinas venceram. Pois no filme eles acordam uma máquina maior, e aquele vazio que era o mundo volta a ser dominado por elas. Seria essa a Alemanha se re-erguendo na segunda guerra. E os 9 os soldados americanos que caem no Dia D e salvam o mundo. Uma menção clara no fim do filme a isso é quando, findada a guerra, sobram 4 bonequinhos, o homem, a mulher e duas crianças, a família perfeita. E ainda dizem "Agora o mundo é nosso, podemos fazer o que quisermos com ele".

A menção ao americanismo é clara, mas eu gostei muito dessa interpretação das guerras. E é o que eu quero fazer com os filmes que posto aqui, foi o que tentei fazer em 2001: Uma Odisséia no Espaço. Falando nela, temos uma clara referência a ela em 9, a máquina do mal, ou máquina Hitler, tem um visor IGUAL ao HAL 9000. Outra referência a filmes (pelo menos eu enxerguei assim) foram os fantasminhas de Star Wars no fim.

A animação é excelente e sua trilha sonora também é ótima. O filme em tudo é muito bem feito. Inclusive na história, que além de falar sobre tudo isso que eu já escrevi aqui, também fala sobre o pensamento filosófico. 9, ao ser impedido de ir salvar seu amigo 2, questiona o dogmatismo do líder 1, que tem a figura de um clérigo. Ele o questiona se aquilo no que ele acredita tão piamente não for verdade e critica o seu fanatismo. Outro ponto que reforça essa idéia é que o abrigo ideal de 1 é uma igreja.

Se não fosse por ser tão demorado em nos entregar sua melhor parte, 9 - A Salvação seria impecável. Com uma linda cena na parte final, ao som de Over the Rainbow, tema do Mágico de Oz, 9 tenta passar uma mensagem que não é executada tão bem quanto em Wall-e, tornando seu principal trunfo suas reflexões e referências a fatos históricos, sua qualidade técnica e as cenas de ação empolgantes. Com certeza é um filme que crianças não gostarão, mas o pessoal mais velho vai adorar.

23/03/2010

Produção #01 - Riders on the Storm

Todos sabem dos tempos de dilúvio que São Paulo passou no começo desse ano, e em umas daquelas chuvas, que sempre começavam às 17h, eu estava na casa de um amigo, que é cobertura e dá para ver vários prédios em volta. Foi aí que caiu a ficha de uma coisa óbvia: São Paulo é um puta cenário pra qualquer coisa.
Eu sou do interior com muito orgulho, odeio o trânsito de São Paulo. E sempre vi as fazendas, estradas e morros como uma ótima cenografia. Nessa tarde chuvosa, com o céu cinza, eu vi que essa era a "essência" de Sampa.

Enquanto estava bebendo umas cervejas com meus amigos vendo a chuva, estava tocando, coincidentemente, Riders on the Storm do The Doors. E tive meio que um insight de uma cena de abertura pra alguma coisa, não sei o que ainda, mas eu a fiz (chamo de versão BETA, pois pode ser modificada) e aqui está.


21/03/2010

Cantando Na Chuva [1952]

[EXT] NOITE - Av. Paulista, São Paulo. - Um Dilúvio

Zé na porta de um cinema de bairro, com o letreiro luminoso dizendo "Noite de Clássicos - A Laranja Mecânica". Várias pessoas saindo enquanto ele arruma o guarda-chuva, abre e sai para a rua.
Andando numa parte da avenida já vazia, o vento bate e leva o guarda-chuva para o meio da rua. Um carro passa por cima. Tomando chuva, começa a CANTAR EM INGLÊS:

I'm singin' in the rain
Just Singin' in the rain
What a glorious feelin'
I'm happy again

Algumas pessoas passam e olham para ele, que está dando chutes no ar. Zé sai pulando e dançando pela calçada. Vai parar no semáforo e dá uma leve escorregada. Enquando espera o sinal para pedestres ficar verde, diz para si mesmo:

Preciso ver esse filme.


Eu penso comigo mesmo: se um dia eu for diretor, filmarei um musical. Isso foi logo após assistir Across the Universe, com as músicas dos Beatles (terá um post especial em breve). A idéia de contar uma história através de músicas coreografadas é genial. Eu adoro musica, adoro dança, e adoro cinema: junte os três e dá um dos meus gêneros favoritos.
E Cantando na Chuva é um dos melhores exemplos de um musical. O mais famoso de todos os tempos, foi gravado em 1952 e fala da transição do cinema mudo para o falado. Dirigido e protagonizado pelo grande Gene Kelly, este é um dos melhores filmes de todos e um dos mais lembrados clássicos de todos os tempos. Afinal, quem não conhece a música Singin' in the Rain?

Don Lockwood (Gene Kelly) é um astro do cinema mudo, craque na arte da pantomina (o que o Chaplin fazia) e junto com Lina Lamont (Jean Hagen) faz a estréia do seu mais novo filme, com grande cobertura da imprensa e lotado de fãs. Ainda no tapete vermelho, ele conta um breve resumo de sua carreira ao lado de seu melhor amigo Cosmo Brown (Donald O'Connor).
Saindo do cinema, o carro de Lockwood quebra, e ao ser perseguido por fãs, ele entra no carro de uma mulher, que primeiramente não o reconhece, mas depois faz uma critica a ele dizendo que ele não é um ator de verdade, e sim quem faz teatro o é, e também aos filmes da época, quando alega que "se você viu um, viu todos".

Eis então que durante a festa do filme, depois da sessão, o chefe do estúdio faz uma mostra de um filme dele mesmo falando com os espectadores, dizendo que essa é a nova pegada do cinema e que o outro estúdio já está produzindo um filme falado. Acontece que em discursos e entrevistas o casal Lockwood e Lamont (casal para os fãs, já que ele não suporta ela) é sempre dado pelo homem, e ninguém nunca ouviu a voz dela, justamente por ser irritante e com um sotaque caipira.

A mais famosa cena do filme vem depois da pré-estréia do novo filme-falado do nosso protagonista, que foi um fracasso. Ao conversar com Cosmo e Kathy (Debbie Reynolds, a mulher do carro) eles tem a idéia de transformar este filme em um musical antes da estréia oficial.

O filme é excelente por tratar de diversos assuntos paralelamente. O relacionamento de Lockwood com Lamont; com Kathy; o crescimento de Cosmo no estúdio; o cinema na época (década de '20) e a saga dos protagonistas de fazer o filme ser um sucesso.

O relacionamento de Lockwood e Kathy começa mal. Ela meio que odiava ele, ou mostrava isso. Mas depois que eles vão se conhecendo (pois eles trabalha no mesmo estúdio) ela se revela uma grande fã dele. E ele se apaixona por ela por ser "a primeira garota que não cai em sua lábia desde os quatro anos".

Enquanto isso o relacionamento de Lockwood com Lamont vai cada vez pior, pois ela é realmente a loira burra e acredita nas revistas de fãs, que dizem que as duas estrelas estão juntas e ele é apaixonado por ela. Sendo assim ela é o contra-ponto do filme, não chegando a ser vilã, mas sim a pedra no caminho de todos que querem produzir o filme: Lockwood, Cosmo, Kathy, o diretor, o chefe do estúdio...

Aí então temos uma inversão de papéis. Lamont, que começa como sendo a Angelina Jolie do Brad Pitt, termina como a "vilã". E Kathy, que começa como uma mala-sem-alça, vira uma das personagens mais gracinhas (modo Hebe de falar) junto com Alabama, de Amor à Queima-Roupa.

As interpretações são ótimas. Kelly e O'Brown formam uma ótima dupla musical, sendo o último engraçadíssimo em todas suas aparições durante o filme (tá certo que algumas cenas foram mais enrgaçadas na época). Hagen nos faz achar graça da burrinha Lamont e Debbie faz Kathy é a belezinha que é. Todos os trejeitos são trabalhados e dão muita personalidade aos personagens.

O mais importante, as músicas, são ótimas, não saem da cabeça depois que você assiste e contribuem para a história. Não são como em Across the Universe, onde as músicas contam a história. Aqui elas servem para ilustrar mesmo o momento. E apenas em um trecho no fim a cena é muito longa e tira um pouco o foco. Mas nada que atrapalhe, afinal, o longa tem só 1h40min.

Cantando na Chuva é um clássico que aparece em qualquer TOP-alguma-coisa do cinema, sendo um dos filmes mais celebrados do cinema. As atuações, o roteiro e principalmente as músicas fazem desse divertido filme uma experiência inesquecível!

COMENTÁRIO EXTRA-POST
Eu estou com uma sorte danada! Desde que eu comecei a escrever no blog, onde eu
comento todos os filmes que assisti, não teve um que eu não gostei ainda! Que bom!
Por que tem umas fases que eu me sinto um velho ranzinza de tão ruins que são os filmes.
E AQUI tem uma ótima resenha que eu li sobre Cantando na Chuva.


18/03/2010

O Fantástico Sr. Raposo [2009]

Eu sempre adorei animações: todas da Pixar, da Disney, entre outras, pois elas fizeram parte da minha infância. Hoje, reassistindo-as, vejo que são filmes para adultos, só que leves e em "deseinhos", sendo adoradas por crianças. Quem não gosta de Toy Story, Nemo, Wall-E, Up, A Bela e a Fera, e um dos meus favoritos: O Rei Leão? Ainda incluo não tão "cultuados" como Mogli e O Cão e a Raposa.
O fato é que começaram a criar filmes em animação sem ser para crianças, claro que elas também gostarão de Avatar, mas O Fantástico Sr. Raposo é um filme que não cairá tanto nas graças dos baixinhos.
A correria, os excelentes diálogos, os problemas existencias/familiares, o impulso animal e o fazer o que gosta/o que nasceu para: caçar galinhas. Não para vender, comer, mas sim pelo prazer e a adrenalina de roubar os fazendeiros. Essa é a natureza do Sr. Raposo. Fantástica a trilha sonora, uma compilação de várias trilhas famosas mais originais. A história envolvente e o ótimo roteiro (baseado no livro Raposas e Fazendeiros) te fazem querer ser o Sr. Raposo, audaz, perspicaz, elegante. Ou no mínimo, amigo dele.

17/03/2010

O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus [2010]

O último filme de Heath Ledger, assim que o filme me foi apresentado e o que me chamou a atenção para vê-lo. Na verdade, o filme é mais que isso. Dirigido por Terry Gilliam (12 Macacos e Monty Phyton), esta é uma obra surreal, sobre erros e imaginação.
Dr. Parnassus (Chritopher Plummer) é uma espécie de circense, daqueles freaks itinerantes que ficam por aí. E seu espetáculo promete levar a pessoa à um lugar que ele jamais foi, dentro da própria imaginação, tudo que precisa fazer é atravessar "o" espelho.
MAS! Antes o nosso Doutor fez uma aposta com Nick (Tom Waits), o capeta em pessoa, venceu e obteve a imortalidade, que é na verdade uma terrível maldição. Quando já estava secular, velho e barbudo, mendigando pelas ruas, é que ele se apaixona por uma linda jovem. Sendo assim, o velhaco faz um acordo com o Diabo e rejuvenesce dando em troca todas filhas que tiver, ao completarem 16 anos. E o inimaginável (para Parnassus) acontece, eis que Parnassus teve uma filha, e chega a semana do "cumprimento do acordo". Para salvá-la, ele faz outra aposta com Nick (é, o jogo vicia!).
Eis que surge Tony (Heath Ledger, no mundo real; Johnny Depp na 1ª visita ao imaginário de Parnassus; Jude Law na 2ª e Colin Farrel na 3ª), pendurado pelo pescoço em uma ponte. Ao vê-lo balançando, Valentine (Lily Cole), a filha de Parnassus, puxa-o para cima e descobre que ele está vivo, e sem lembrar de nada. Achando que deve sua vida à trupe, Tony se junta a eles e ajudará o Doc. (assim que ele o chama) em sua aposta. O que só causará inveja em Anton (Adrew Garfield), o primeiramente amado de Valentine.
A morte de Ledger foi um fato contornado na melhor maneira possível por Gilliam. Justamente ele, considerado azarado, teve sorte no fato das cenas não gravadas pelo eterno Coringa terem sido as no mundo do Dr. Parnassus (claro que também existe um planejamento aí). O lugar onde era possível ser e viver qualquer coisa, por isso ele tinha corpos diferentes.
Fora alguns aspectos de roteiro, a história tem umas partes mal-explicadas (não que precise ser mastigado, mas meio que sem sentido para o que está acontecendo) e o rumo que a história tomou depois (por falta de motivos), o filme é ótimo. Os efeitos são muito bons e te fazem querer entrar naquela maluquice que é o mundo imaginário do Dr. Parnassus.
A fotografia é muito boa, assim como Ledger, Depp e Law. Farrel não me agradou tanto, mas talvez por ter sido o Tony mais diferente. O filme tem também uma divertidíssima surpresa: Verne Troyer como o fiel escudeiro de Parnassus. Quem é, você deve se perguntar. Eu te respondo caro leitor. Ele é nada mais (menos impossível) que o Mini Me, de Austin Powers!
Uma das coisas que este filme me fez perceber foi esse meu gosto pelo surreal. Os filmes do Quentin Tarantino são um tanto quanto surreais, ficções-científicas nem se fala, e eu adorei Romeu + Julieta, de Baz Luhrmann (o com o Leonardo diCaprio), e claro, os filmes do Tim Burton.
O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus é um ótimo filme surreal, mesmo com seus altos e baixos, ele não deixa nada a desejar e é uma bela (e infeliz) homenagem a Heath Ledger, como o filme se encerra: From Ledger & Friends (De Ledger e Amigos)

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