29/06/2010

Toy Story [1995], Toy Story 2 [1999] & Toy Story 3 [2010]

Os três filmes Toy Story são uma ode à amizade e à lealdade. São filmes impecáveis em todos os sentidos que são muito mais do que desenhos para crianças, são obras para todas as gerações, que, no melhor estilo Disney/Pixar, passam um moral (sem ser forçado).
Esse terceiro filme especialmente é o mais bonito, é mais melancólico e nostálgico, com tom de despedida. Assim como os outros dois, é muito engraçado e tem histórias maravilhosas. Um roteiro um pouco mais complexo do que os outros dois, mas ainda assim bem simples, com tomadas fantásticas fazem desse filme perfeito.

A mensagem de amizade é muito forte, qualquer um que sai do cinema se sente revigorado, leve, feliz. Essa mensagem que a Disney falhou ao tentar passar em Alice no País das Maravilhas, do Tim Burton. Mesmo assim, o filme não é moralista, vide as piadas com o Ken bicha. As diversas referências que os três filmes têm também são ótimas, sobre Star Wars, Exorcista e até dos próprios filmes anteriores.

A trilha sonora também merece destaque, especialmente a música tem "You've got a friend in me" em espanhol, com Gipsy Kings, que remete à um momento divertidíssimo. Particularmente, eu prefiro as músicas em português que em inglês, animações eu só assito dublado, e Toy Story é português é brilhante!

Buzz e Woody passam por várias situações e desentendimentos com os outros brinquedos que servem de mote para as histórias. Brigas, fatos distorcidos, histórias mal-contadas, ciúmes, amizade, lealdade, tudo isso acontece, mas não existe o fator redenção em Toy Story. Pete Fedido e Lotso se apresentam como amigos, amáveis e tranqüilos, mas no decorrer do filme se mostram inescrupulosos e do mal. Ambos têm chances de se tornarem amigos e se redimir, mas não o fazem e acabam "punidos" por alguma criança que brinca com eles do jeito errado.
Toy Story é uma obra-prima, separados ou em conjunto. Sendo o terceiro o mais puro e belo, faz a sala ter que segurar lágrimas no final, e um pouco no começo. Um filme que fez parte da minha infância, eu "regulo com o Andy em idade", já que o tempo passou aqui e no filme. E tinha os bonequinhos do Buzz e do Woody, esses personagens maravilhosos que fazem parte da minha vida.

Para mais informações, ouçam o ótimo Rapaduracast sobre Toy Story.

17/06/2010

Os Deuses Malditos [1969]

Esta obra do diretor italiano Luchino Visconti retrata a vida da família industrial Von Essenback (a família Krupp metamorfoseada) e sua guerra para ver quem toma o controle da fábrica de aço.

O patriarca da família, Joachim, avisa em seu aniversário que decidiu com quem deixará a vice-presidência de sua fábrica após ser relatado sobre o incêndio no reichstag (parlamento alemão). Sempre visando adequar sua empresa à situação, ele pretere o "favorito" Herbert (que é contra o nacional-socialismo, assim como Joachim) e escolhe um agente da SA, Konstantin. Este que já pensa no incêndio como uma conspiração dos comunistas, ao mesmo tempo em que Herbert vê o fato como um joguete de Hitler para se livrar da oposição e do parlamento.

Frederick, funcionário da fábrica e namorado de Sophie - a Condessa de Essenback e sobrinha de Joaquim – vai ao aniversário com um primo da família e agente da SS, Aschenbach. Este o conta que era uma boa noite para agir e subir na hierarquia da fábrica, pois ele dá a entender que sabia do incêndio e da futura invasão da SS na mansão dos Von Essenback atrás de Herbert, considerado traidor pelo estado. E ainda profere que "homens da velha Alemanha serão reduzidos às cinzas", se referindo aos juízes, parlamentares e militares assassinados (embora não seja mostrado no filme).

Frederick e Sophie estão determinados a controlar a fábrica a qualquer preço, e para isso precisam se livrar de seus adversários (familiares). Martin, o filho de Sophie, é "controlável" e não "diferencia uma fábrica de um carro", segundo a mãe. Eles são ajudados por Aschenbach, que faz um depoimento contra Herbert após a invasão da SS na mansão, pois Joachim fora assassinado por Frederick, mas com a arma de Herbert.

Com isso, Martin herda as ações e vira o acionista majoritário da empresa. Respeitando desejos do avô, ele mantém Konstantin na vice-presidência, mas enxerga uma deficiência técnica na empresa, e elege Frederick presidente. Konstantin imediatamente percebe a conspiração da SS e de Frederick, e é então visto como um problema para o crescimento da empresa, "uma flor inocente que precisa ser cortada", pois atrapalhava o caminho. Assim como a SA, por conta de sua disputa com o exército.

Enquanto isso, Hitler promove uma queima de livros na escola de Gunther, filho de Konstantin, quem o deseja fora da escola. Konstantin queria que Gunther fosse trabalhar com ele na fábrica, pois seria seu sucessor. Mas essa idéia fora abolida quando Frederick se tornou presidente.

A Srta. Thallman, esposa de Herbert, deseja deixar a Alemanha, mas é questionada sobre quem/o que a estaria forçando a tal atitude. Ao afirmar que ninguém faz isso, ela precisa de uma "autorização" para sair, e a pede para Sophie. Esta dá a liberação, mas diz que Thallman "nunca mais vai encontrar esta Alemanha que tanto gosta, pois ela está morta para sempre. Ela não pode escapar, pois quando se der conta, a Alemanha se estenderá por toda a Europa", revelando seu forte pensamento nazista.

Konstantin descobre sobre a garota de nove ou dez anos que se suicida, com quem o pedófilo Martin tinha (insinuações de) relações, e então o chantageia, e o faz convocar uma reunião de conselho, onde conseguiria, por votação, chegar à presidência. Mas é impedido, pois, por pressão de Rhöm, que fez um ultimato à Hitler sobre o conflito SA x Exército e foi esperá-lo em um hotel na Baviera com a cúpula da SA. Lá, todos são metralhados pela SS, e Konstantin especialmente por Frederick, que fora junto com Aschenbach. Este mostrara à Sophie os arquivos da espionagem, e dissera a ela que era impossível conquistar o mundo sem o exército. Esta ficou conhecida como A Noite das Facas Longas.

Frederick tem a sensação de ser insubstituível, e ao querer controlar a fábrica sozinho preocupa Aschenbach e a SS. Este então vai falar com Martin, e o incita e apóia a tomar o que é seu por direito. Martin revela um profundo ódio à sua mãe, que o excluía e humilhava. Ela tirara tudo o que ele tem. E por isso, ele decidiu "acabar" com a própria mãe e transou com ela. A preferência da SS por Martin se dava por conta de ele não almejar a fábrica para si, e de querer ser "ajudado" (controlado) pela SS. Aschenbach ainda contara a Martin que a garotinha era judia, mas que ele não cometera nenhum crime, pois ela era subumana, segundo a ideologia nazista e seu anti-semitismo.

Em um tenso jantar, onde Frederick cobra mais colaboração de sua família, Herbert volta para se entregar à SS, para que essa libere suas filhas, que foram mandadas a um campo de concentração por Sophie. A Srta. Thallman já estava morta a esta altura. Logo após o ocorrido, Martin conta a Gunther de que seu pai fora assassinado por Frederick, ele então nutre ódio pelo casal, mas é aconselhado por Aschenbach a despejá-lo em outro lugar mais importante, que isso Martin já faria, e ele é então levado para ser treinado pela SS.

Após transar com seu próprio filho, Sophie adquire um ar fúnebre, e nada faz para ajudar Frederick a sair do cerco em sua própria casa. No casamento dos dois - que foi conseguido com um decreto dado por Aschenbach para Frederick conseguir o nome Von Essenback e tornar-se o único dono da fábrica, mesmo com sua queda sendo iminente – Sophie está pálida como um defunto por causa de sua maquiagem, e nem bebe o brinde ao seu próprio casamento.

Nas "núpcias", Martin dá cianeto para o casal, e os deixa a sós. Ele sai para o salão, onde uma verdadeira orgia está acontecendo, e apaga todas as velas que acendeu antes da cerimônia. Com a chegada da SS no salão, ele entra no quarto e encontra o casal morto.

Martin, no final do filme, fora um fantoche de Aschenbach, que representa a SS. Eles colocam e tiram quem eles quiserem do cargo que quiserem, para ter total controle da situação. Cumprindo a sentença de Aschenbach no I ato do filme: "os homens da velha Alemanha serão reduzidos às cinzas".

A SS, que nos seus três principais feitos na trama foram apresentados como faróis na escuridão, saindo à espreita. É assim na apresentação de Frederick e Aschenbach e antes da invasão da mansão e na Noite das Facas Longas.

Toda a podridão do filme não está lá gratuitamente. O homosexualismo existia fortemente naquela época, o próprio Rhöm era homossexual, e "ai" de quem falasse alguma coisa para ele. Favor não confundir homossexual com viadinho. O incesto e a pedofilia mostram a imoralidade das famílias naquela época, realmente acontecia aquela orgia suja.

"Os Deuses malditos" é esteticamente fantástico. A íntegra família é apresentada no começo cheia de pompa, mas ao final do filme o clima degenerado de tensão é claramente notado, os cenários refletem isso. No começo é tudo muito iluminado, e ao final, muito sombrio. O roteiro é espetacular, foi até indicado ao Oscar (em 1970, outros tempos), e garante profundidade aos personagens, e o grande auge disso é Martin, uma figura que começa o filme como Drag Queen, passa por cenas de pedofilia e termina matando a própria mãe. É o resumo de um filme pesadíssimo psicologicamente, mas ainda assim brilhante.

16/06/2010

Coisas Belas e Sujas [2002]

O filme de Stephen Frears desaponta no fim, mas começa bem e te prende até o final. A estética underground representa muito bem como vivem os imigrantes ilegais de uma Londres nunca mostrada, e serve como denúncia ao que essas pessoas vivem e ao tráfico de órgãos.

Começamos o filme com um protagonista negro. Depois descobrimos que seu nome é Okwe (Chiwetel Ojiofor) -eu, embalado com a Copa do Mundo, lembrei do meu álbum de figurinhas e pensei, é nome de nigeriano: bingo! Ponto pra mim. Depois nos é dito que ele está em Londres (já dava para perceber pelo volante na direita, mas não é certeza). Descobrimos sua ilegalidade e um relacionamento frio com a turca Senay (Audrey Tatou) que lhe aluga o sofá. Outra imigrante ilegal. Querendo ser o mais discreta possível, só deixa Okwe ir para o apartamento quando ela não estiver.

Ele dirige táxis de dia e trabalha como recepcionista de um hotel à noite, mascando ervas indígenas para ficar acordado. Numa bela e suja noite de trabalho, ele descobre que o que está entupindo a privada de um dos quartos do hotel é um coração. Ao reclamar com o gerente, este o impele a ligar para a polícia, como Okwe é imigrante ilegal, não o faz. O patrão dá a entender o que descobriremos mais tarde, existe um tráfico de órgãos de imigrantes no hotel em troca de passaportes da união européia.

O grande mérito do filme é que sua trama se sub-divide em várias. Não é uma história simples. Eis aqui em ordem de importância (ao meu ver):
#1: Okwe. Vamos descobrindo o personagem, seu passado e sua perspectiva para o futuro. Muito bem construído. E também como ele faz para "se virar" na capital inglesa mais suja do que bela nesse filme.
#2: O suspense do tráfico de órgãos
#3: O relacionamento Okwe-Senay, que vai evoluindo com a fita.
#4: Senay. De personagem casta à usada e "corrompida" pelo sistema para sobreviver, sofrendo todo tipo de abuso.

Apesar da costura das tramas ser muito bem feita, o filme cai numa de hollywood no fim do filme, com uma solução tão fictícia quanto o vilão: Sr. Juan, que é bem caricato, ele é até meio parecido com o Robert DeNiro. Mas ainda assim se encaixa na trama e frase no final de Okwe serve como uma denúncia/desabafo das classes oprimidas pelo sistema:

Inglês: Como é que eu nunca te vi?
Okwe: Por que vocês nunca nos vêem. Nós dirigimos seus táxis, limpamos seus quartos e chupamos seus paus.

O filme, aliás, é cheio de diálogos de efeito, que são excelentes, mas não ficam muito orgânicos no filme, outro espetacular é este, quando Okwe quer impedir que Senay venda seu rim:

Senay: Uma das faxineiras fez isso e agora está livre!
Okwe: Outras estão mortas!
Senay: E também estão livres!
Okwe: ... o que o seu Deus diria?
Senay: O meu Deus não fala mais comigo.

O filme é inteiramente composto por dilemas. Eles perseguem os personagens, assim como nós mesmos. Bela é a Senay, é a virtuosidade de Okwe e o virtual relacionamento deles. Sujo é o capitalismo, as cidades grandes e sobreviver dessa maneira. Os personagens sofrem, e são muito bem interpretados. O filme é pesado, denso, triste. Mas é muito bom.

Nota pra música que toca nos créditos, não sei qual é, acho que chama "Unloved", se alguém souber, me avise, é muito boa.

fade to black

11/06/2010

Um Estranho No Ninho [1975]

Esta obra-prima dirigida pelo tcheco Milos Forman representa a luta de apaixonados pelo cinema e pela história de um livro. Perfeito, é uma obra para ser refletida em diversos campos e ser apreciada como poucas. Um filme tão denso e tão divertido, com tantos talentos, merece estar em qualquer TopFilms de alguém que goste de cinema.

O livro homônimo de Ken Kesey foi um best-seller escrito em 1962 e baseado nas experiências do autor em um hospital psiquiátrico. Tal livro foi lido por Kirk Douglas, e este se apaixonou pela obra. Querendo "disseminar" sua paixão, ele levou o livro ao teatro, resultado: fracasso total. O público de certa forma não gostou e não entendeu a peça, que após 5 meses acabou.

Mas a paixão foi transmitida de pai para filho e Michael Douglas resolveu levar o livro ao cinema. Entretanto, o fracasso econômico da peça fez com que os grandes estúdios ficassem um pouco resistentes com a idéia da adaptação para a tela grande, e o filme contou com um orçamento curtíssimo. Então pai e filho decidiram que o diretor deveria ser a estrela, e numa conversa com o amigo tcheco Milos Forman (diretor de Amadeus) eles perguntaram se um dia eles por um acaso mandassem um livro a ele, e este gostasse, ele aceitaria dirigir o projeto. Resposta: Sim.

O livro foi mandado a Milos, mas este não respondeu. 10 anos depois, eles mandaram novamente o livro ao tcheco, e agora ele respondera: vamos fazer o filme! Questionado por que não respondera antes, ele disse que nada havia chegado. O livro tinha ficado todo esse tempo na alfândega e o puto não foi avisado!

Para tornar o projeto financeiramente viável, entrou o terceiro produtor na parada: Saul Zaentz. Um chega, outro sai: Kirk Douglas. Após desentendimento com Saul e por ter sido considerado velho demais para o papel principal pelo próprio filho, Kirk vê seu sonho crescer de longe, mas no final obviamente aprovará tudo.
Com tudo preparado, restava o elenco. Para o papel principal foram considerados James Caan, Gene Hackman, Marlon Brando e Burt Reynolds, mas quem ficou com ele foi um talentoso e barato ator, Jack Nicholson. Entretanto, Jack tinha contrato com outra produtora e iria gravar outro filme. Mas por ser considerado perfeito para o papel, o filme ficou parado 7 meses por ele.

O casting do filme é maravilhoso, e os personagens muito verossímeis. Do projeto participaram os agora famosos Jack Nicholson, Danny deVitto e Christopher Lloyd, além dos premiados Brad Dourif (novato na época, fez o Língua de Cobra em O Senhor dos Anéis) e Louise Fletcher.

No trama, RP McMurphy (Nicholson) se faz de louco para sair da prisão e ficar numa clínica, onde a "barra seria mais leve". Mas ao não se adaptar à monótona rotina imposta pelo sistema do hospital, ele tenta adaptá-la a si, quebrando toda a rotina do local. Sua insanidade é até colocada em xeque pelos psiquiatras. Mas tudo o que Randall queria era liberdade.

Foucault disse que "A doença só tem realidade e valor de doença no interior de uma cultura que a reconhece como tal.". O filme no fundo é uma crítica à psiquiatria e seus métodos: medicações, eletro choque e lobotomia (o último é deplorável), que eram aplicados não para corrigir o comportamento do cidadão, mas para assustar os outros e amedrontá-los de fazer o mesmo.

Pela rebeldia e carisma, Mac foi considerado um tipo de líder na "comunidade", pois era a quebra da rotina, era a diversão deles, ele era "um gigante" e representava o que eles desejavam e temiam fazer contra o sistema da instituição que os reprimiam e controlavam.

A liberdade que Mac queria era a impunidade, onde poderia agir livremente, de poder roubar um barco para um passeio, devolvê-lo depois e não ser preso por insanidade. Porém, sua liberdade desejada esbarrava com o absolutismo da bela enfermeira Srta. Ratched (Louise Fletcher), o capeta em forma de mulher. Tudo o que ela fazia, segundo ela, era visando o bem e recuperação de seus pacientes, mas a sempre calma e fria enfermeira só "colocava atrás" deles.

Essa critica sociológica se refere ao estado absoluto, onde ele julga saber o que é melhor para o povo, como se fosse uma criança. Ele controla e medica sua população, para ela "melhorar" e não escapar de seu controle. Um caso desses foi a Revolta da Vacina, no Rio de Janeiro em 1904.

A liberdade de Mac é conquistada ao final do filme. Após o jovem Billy (Brad Dourif) se suicidar por conta da Srta. Ratched ameaçar contar à mãe dele que ele dormira com uma garota, amiga de Mac por sinal. Então o próprio Mac pula em seu pescoço e quase a mata estrangulada, se não fosse pelos seguranças do hospital. Esse sofre uma lobotomia por causa disso e de "problemas" anteriores, e fica em estado vegetativo. Ao "voltar" para a "comunidade" é liberado (morto sufocado por um travesseiro) por seu amigo e também paciente Chefe Bromden (Will Sampson). Este que após o feito, se considera "capaz" de fugir e viver, que Mac o fez um "gigante" como ele foi. Ele fez o que a terapia não conseguiu: deu ao chefe o tesão de viver.

A busca pela liberdade de Mac contra a repressão do sistema só acabou com a sua morte após ser lobotomizado. Ele foi poupado de um sofrimento terrível, e a principal crítica do filme/livro é quanto às técnicas da psiquiatria, baseada em estudos de Foucault. Essa densidade é um dos aspectos que torna Um Estranho no Ninho um filme perfeito. Tanto tecnicamente, quanto nas atuações, no roteiro, na trilha sonora e na direção. E diferentemente de alguns grandes clássicos conhecidos por sua densidade, como 2001: Uma Odisséia no Espaço, é muito engraçado. É base de estudos sociológicos e de cinema. É simplesmente do caralho!

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COMENTÁRIOS EXTRA-POST:
O filme me remeteu muito à Kubrick e Tarantino (pois assisti esses primeiro). O método de filmagem, os ângulos, os zooms durante as falas e alguns cortes me lembraram muito O Iluminado, fora o fato de Jack Nicholson ser um louco, preso num lugar, e que num determinado momento encontra e fode Scatman Crothers (fez Dick Halloran no filme de Kubrick). E a cena final do filme é muito tarantinesca, com a música de Jack Nitzsche ao fundo (Tarantino usaria uma música sua em À Prova de Morte) e o chefe escapando do hospital. Achei meio Kill Bill. Agora, que fique bem claro que este filme veio 5 anos antes d'O Iluminado e que Mr. Quentin ainda tinha míseros 12 aninhos em seu lançamento e nem sonhava fazer o que fez.

É um dos três únicos filmes que ganhou os 5 principais prêmios no Oscar: Filme, Diretor, Roteiro, Ator e Atriz. Ainda foi indicado a mais 4, venceu 6 Globos de Ouro e 6 BAFTA, entre outros.

Desculpas pelo palavreado na conclusão do post. É a emoção.
Fontes de pesquisa: Socializando e Cine Players

fade to black

05/06/2010

Habana Blues [2005]

Habana Blues é fascinante ao retratar o povo apaixonado por sua pátria, mas que vive num país cheio de dificuldades, imposições e limitações da revolução. Mostra seu sonho por uma vida melhor, sua luta do dia-a-dia embalada por uma excelente trilha sonora.

É uma produção cubana, espanhola e francesa. Se passa e é filmada 95% em Havana, Cuba; é dirigida e roteirizada por espanhóis; e imagino que os recursos ($) sejam franceses. Toda essa multinacionalidade dá o toque neutro do filme. Ele tem um background político, mas não toma partido, não faz discursos e nem lições de moral falando que Cuba é horrível ou maravilhosa.

A classe musical representada no filme é protagonizada por Ruy (Alberto Yoel) e Tito (Roberto Sanmartín), dois musicos que tocam blues (dãr) e são como unha e carne, Lennon e McCartney e um pouco só a menos que Simon & Garfunkel. Ambos sonham com sucesso, são compositores, melhores amigos e amam a música.

O filme retrata as dificuldades da vida sem forçar a barra. A separação da esposa, o amor pelos filhos, como sobreviver (financeiramente) e manter sua ideologia. Ruy é um personagem que se preparou para o sacrifício, alguém que até surpreende pela falta de hipocrisia, muito presente na sociedade de hoje, o incrível é que no filme não fica forçado.

Habana Blues é um ótimo filme. Divertido, com uma trilha sonora excelente e personagens carismáticos. Abordando a vida em cuba e suas dificuldades. Mas ainda sim é um filme de amor "a Cuba, esa loca e maravillosa isla".

31/05/2010

Balanço do Mês: Maio

Vem Maio, sai Maio, e eu dei uma desandada no blog, nem todos os filmes que vi foram postados, outros só postados para pontuar e outros escritos por obrigação. Mas todos os filmes que vi em casa, no cinema, ou que chamou mais minha intenção foram postados. Bom, vamos às notas: Em ordem de data do post, e a nota, em estrelas, de 1 à 5.
(1 - péssimo; 2 - médio/ruim; 3 - bom/legal; 4 - muito bom; 5 - tá na história). Lembrando que as notas são dadas pelo quanto eu gostei do filme, e não necessaria e exclusivamente por sua qualidade, mesmo ajudando a "graduar o meu gosto".


#01. Trainspotting (1996, Danny Boyle) - 5 Estrelas
Uma obra-prima. Danny Boyle fez um filme foda, engraçado, que faz pensar e é impossível de ser compreendido (oralmente falando, o sotaque escocês é uma bosta!), nojento e genial.

#02. The Corporation (2003, Mark Achbar & Jennifer Abbott) - 5 Estrelas
Um dos documentários mais interessantes e bem-produzidos que já vi, certamente o mais perturbador, no sentido de provocar reflexões, e muito chocante. Denuncia a sociedade em que vivemos como uma escrotidão foda. Não vamos ficar sentados no sofá.

#03. Alice no País das Maravilhas (2010, Tim Burton) - 2 Estrelas
Alice uma escrota. Rainha Vermelha uma coitada injustiçada. Chapeleiro Maluco um espadachim. Roteiro uma bosta. Mensagem que o filme passa contraditória com a Disney, e com a vida, é escrotidão do começo ao fim! O que menos-piora é o visual do Tim e o Johnny Depp mesmo.

#04. 12 Homens e Uma Sentença (1957, Sidney Lumet) - 4 Estrelas
Prova que um filme não precisa de efeitos especiais, tramas espetaculares e muito dinheiro pra ser feito e se tornar um clássico. Henry Fonda foda, num filme simples esteticamente, mas com um excelente roteiro em um só cenário.

#05. Homem de Ferro (2008, Jon Fraveau) - 4 Estrelas
#06. Homem de Ferro 2 (2010, Jon Fraveau) - 3 Estrelas
O melhor super-herói em filmes na minha opinião tem filmes divertidíssimos, com ótimas sacadas em uma puta atuação de Robert Downey Jr. O primeiro filme é mais legal que o segundo. Entretanto a sequência é mais rica em história e na construção do personagem dos quadrinhos, do qual eu não sei nada.

#07. Tudo Sobre Minha Mãe (1999, Pedro Almodóvar) - 4 Estrelas
Dizem ser a obra-prima de Pedrito, mas eu só conheço dois de seus filmes então posso falar, é possivelmente uma de suas obras-primas. Excelente em tudo, o que mais me chama a atenção é a naturalidade de seus personagens excêntricos e as cores, sempre fortes.

#08. Diários de Motocicleta (2004, Walter Salles) - 4 Estrelas
Fui ver o filme pela viagem e me deparei com Che Guevara, o que fez me interessar por um mito agora desconstruído. Parte brasileiro, gostei muito do "clima" do filme, tecnicamente impecável.

26/05/2010

"Onde Está Meu Amigo Ringo Starr?" - Sofistas

Mais uma produção própria. Sinto que cada vez elas estão evoluindo mais. Que bom. Essa é uma produção duplamente independente.

Tenho amigos que formam uma banda. Sofistas. Rock'n Roll, meio anos '70, meio alternativo, muito bom. Influências? As melhores. Beatles, Jimmy Hendrix, Eric Clapton, Red Hot Chilli Peppers, Pink Floyd...

Bom, muito bom. Eu, chamado carinhosamente de "Ó Prod" ou "Produtor", aquele que não possui contatos, fez um clipe para uma de suas músicas próprias, "Onde Está Meu Amigo Ringo Starr?", uma das minhas favoritas, junto com "Charles Manson".


E eis aqui o clipe: