26/09/2010
Balanço do Mês: Setembro [Atualizado]
24/09/2010
Totalmente Kubrick #03: Laranja Mecânica [1971]
"Stanley era o grande mestre do cinema. Ele nunca copiou ninguém, ao passo que todos nós lutávamos por imitá-lo"Steven Spielberg.
Seria A Laranja Mecânica uma futurista apologia à violência ou uma crítica paralelista? O clássico tem várias interpretações, é perturbador, denso e violento, ao passo que é fascinante, divertido e musical. Outra obra-prima de Stanley Kubrick a ser dissecada a cada detalhe.
- Vamos lá! Acabem comigo covardes desgraçados! Eu não quero viver mesmo! Não neste mundo fedorento!
- O que há de tão fedorento nele?
- É fedorento por que a lei e a ordem não existem mais. É fedorento por que deixa que os jovens batam nos velhos, como vocês estão fazendo. Não é um mundo onde um velho possa viver!
Não seria, então, a ultra-violência uma forma não muito ortodoxa de Alex se destacar dos demais? Afinal, ele era um personagem de inteligência, sarcasmo e gosto cultural refinado, sendo seu músico preferido ninguém menos do que Beethoven. Segundo Kubrick "Alex é daqueles personagens que pela lógica seria incapaz de atrair qualquer tipo de simpatia entre o público que assiste ao filme. No entanto, ao longo do filme, ele consegue nos atrair para ‘o seu lado’ e toda a desconfiança e antipatia que pudéssemos sentir por ele desaparece". Seria então essa simpatia por Alex uma subconsciente aprovação a uma revolta tão podre quanto tudo que se apresenta ao redor dele?
A Laranja Mecânica é mais uma obra prima de Stanley Kubrick, conhecido por seu perfeccionismo e por trabalhar nas falhas (imperfeiões) humanas. Tecnicamente impecável em qualquer aspecto, sugere diversas discussões sobre a organização social e o homem como indivíduo. Perdido, conformado, rodando como uma engrenagem de um sistema há muito obsoleto.
cross fade
Curiosidades: veja na wikipédia.
Fontes de pesquisa:
1. Recanto das Letras
2. Cinema é Minha Praia
3. Fórum Media
fade to black
18/09/2010
Duro de Matar [1988]
04/09/2010
Balanço do Mês: Agosto
#01 - Watchmen, de Zack Snyder (2009): Divertidasso
Apesar de algumas falhas, como algumas músicas (apesar de excelentes) que não encaixavam, e ao exagero hollywoodiano do diretor com sua adora câmera lenta, este filme é um excelente pipocão, agrada e nos deixa com muita vontade de ler os quadrinhos e conhecer mais sobre essa "mitologia" fantástica.
#o2 - Amarcord, de Federico Fellini (1973): Obra-prima
Fiquei devendo um post sobre a primeira obra que assisti de Federico Fellini e já posso dizer que o diretor é excepcional! O filme que retrata a simples vida numa cidade pobre no interior da Itália (a que ele nasceu) é genial e sincero como poucos. Fellini usa até um personagem como seu porta-voz, que olha para a câmera e fala com você. Além de ser hilário, claro, afinal, é uma comédia.
#03 - O Paciente Inglês, de Antony Minghella (1996): Excelente
Outro excelente filme que eu fiquei devendo um post. "Típico filme vencedor de Oscars", levou nove. Retrata a história de um paciente de guerra, por meio de flashbacks, e mostra sua atual situação, ao final de 1944. Excelente roteiro, atuações e direção, é um filmaço.
#04 - Valsa com Bashir, de Ari Folman (2008 - Israelense): Provocador
Um FILMASSO! Mostra de maneira crítica a guerra no Líbano e o massacre de Sabra e Shatila. No fundo, faz uma crítica ao homem e sua ganância. Genialmente feito em animação, é lento e pesado. Mas muito bom para refletir.
#05 - Os Mercenários, de Sylvester Stallone (2010): Testosterona
Totalmente ao contrário do filme anterior, é pura ação. Entretanto, a falta de roteiro, atuações ou direção é compensada por quase todos maiores brucutus do cinema da década de 80 e muita testerona, com explsões e mortes.
26/08/2010
Os Mercenários [2010]
13/08/2010
Valsa com Bashir [2008]
Valsa com Bashir é um excelente thoght-provoking movie (filme que faz refletir). Israelense, este filme é dirigido pelo judeu Ari Folman, e conta a história de um ex-soldado que apagara da memória o massacre de Sabra e Chatila, bairros do Beirute, capital do Líbano. O mais interessante é que o protagonista é o próprio diretor.
Para entender perfeitamente o mote do filme, seria muito bom já ter uma noção histórica do acontecido. As eternas batalhas entre a Palestina e Israel todos conhecem, acontece que quando tais desavenças entre muçulmanos e judeus e cristãos chegaram ao então pacífico Líbano, fazendo com que tal país entrasse numa guerra civil.
Palestinos (civis) que moravam na região se abrigaram num campo de refugiados que ficava no Líbano, nos bairros de Sabra e Chatila, mais afastados da cidade e protegido por colinas e sob a guarda de israelenses (por pressão da ONU, aliás, eram civis pô!). Entretanto, numa noite a guarda palestina se "descuidou" e uma das facções libanesas massacrou toda essa população civil. Até hoje não se sabe como foi tal "descuido".
A história começa com Folman conversando com um amigo tomando uma no bar. Este amigo conta sobre um sonho que o atormenta há dois anos, no qual 26 cães (exatamente 26, ele se lembra de cada um) o perseguem querendo matá-lo. Esse é um trauma de guerra dele, e então Folman começa a ter um curto sonho sobre o massacre de Sabra e Chatila. Buscando entender o que aconteceu, ele procura seus conhecidos daquela época para "dividirem informações" buscar entender o ocorrido, já que todos têm certo "apagão" de alguns momentos.
O filme varia entre um estilo documental, com Folman "entrevistando" seus conhecidos, e com uma narrativa nos flashbacks das cenas de guerra. O ritmo é bem lento, verdade, mas como disse um dos soldados contando sobre as viagens nos tanques "a viagem lenta nos proporcionava apreciar os belos cenários".
O nome do filme, Valsa com Bashir, é espetacular. "Mas como que um nome de filme pode ser bom, titio?" você se pergunta. Explico-te, caro pimpolho. Existem títulos de filmes que o resumem – como Star Wars, O Poderoso Chefão, Kill Bill – e os que complementam o filme, que adicionam em conteúdo – como Dr. Fantástico: ou como parei de me preocupar e passei a amar a bomba.
Bashir, primeiramente, era o primeiro-ministro muçulmano (normalmente o presidente era cristão e o primeiro-ministro, muçulmano), que quando estourou a guerra civil, foi assassinado. E assim virou uma espécie de mártir e ícone muçulmano, com fotos em todos os lugares, praticamente o Che Guevara oriental. A valsa com Bashir quer dizer que ele e seus "seguidores" estão juntos, dançando e indo em direção à morte.
A cena que melhor "explicita" essa explicação (já que não é explícito) é quando um dos soldados fica ensandecido no meio de um tiroteio, pega uma metralhadora, vai para o fogo cruzado e começa a atirar para todos os lados, valsando, afinal, seus amigos estavam morrendo e ele não sabia mais por que estava nessa guerra.
Este belíssimo filme é uma animação, em 2D, mas bem realista, pois a técnica de desenho foi pintar por cima do fotograma. As cores variam entre tons quentes e frios e fazem alguns takes parecerem pinturas. O estilismo do filme, em animação, é usado para dar vida a alguns devaneios dos personagens, como uma viagem no colo de uma mulher gigante azul (parece uma Na'vi) enquanto um barco é bombardeado. E o impacto causado pela utilização de imagens de aquivo no final é incomensurável, deixando qualquer um que se envolvera com o filme catatônico no final.
A trilha sonora é eclética, e varia entre rock, com guitarras enraivecidas e música clássica, além de uma música, com levadinha alegre, que fala sobre ir para o Líbano. A letra, entretanto, é extremamente irônica e trata sobre o massacre ocorrido.
Valsa com Bashir é um filme que deve ser vivido, e não assistido, tamanho espanto que ele causa nos motiva a indagar sobre os valores dos homens. Matam sem nem lembrar por que, lutam por ganância e para tirar proveito próprio. Antes das pedradas, isso não é propaganda socialista, apenas um apelo ao amor. Um filme pesadíssimo, apesar de ser em desenho, recebeu classificação indicativa de 18 anos. Denso e instigante, é lindamente montado e provoca um pensamento mais importante do que um simples entretenimento momentâneo, todos deveriam ver um filme assim de vez em quando, para tentar mudar o mundo.
PS: O filme foi proibido em Israel.
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