26/02/2011

Oscar 2011

E Chegou um dos momentos mais esperados do Ano: meus palpites sobre o Oscar 2011! E começarei fazendo uma classificação dos 10 filmes indicados ao prêmio máximo e comentareios:

Não vi: O Vencedor, Inverno da Alma e Minhas Mães e Meu Pai

4º - Bravura Indômita
Um ótimo filme de faroeste, mas que não pode ser considerado mais um filme genial dos Coen, é um ótimo filme dos Coen. Deve ganhar alguma categoria técnica.

3º - O Discurso do Rei
Excelente em vários aspectos, mas não me pegou tanto quanto os próximos, deve ganhar alguma categoria técnica e Melhor Ator (Colin Firth), mas Geoffrey Rush e Helena Bonham-Carter também correm por fora.

2º - A Rede Social, 127 Horas e A Origem
A Rede Social é, na minha visão, favorito à estatueta, retrato de uma geração, conta a gênese do mundo em que vivemos hoje, e de maneira muito competente, é o filme mais bem dirigido de David Fincher, que também é candidato forte.
127 Horas me surpreendeu e é excelente, com uma sequência de abertura digna de Danny Boyle, é tecnicamente perfeito. Sai da sala com meu braço direito pulsando, filmasso, tá forte ne disputa de Ator.
A Origem é extraordinário, deve ganhar efeitos visuais. A minha única reticência é quanto ao Limbo, acho que eles poderiam ter explorado mais uma parte subconsciente, de incongruências narrativas, comum em sonhos.

1º - Cisne Negro e Toy Story 3
São os melhores do ano e de muito tempo. O primeiro é um filmasso de arte e pesadíssimo psicologicamente, o outro é a melhor animação de todos os tempos, primeira a ser candidata fortíssima à Estatueta. Dois filmes lindos e clássicos modernos. Natelie Portman já ganhou Melhor Atriz e Toy Story 3 já ganhou Melhor Animação, mas são filmes mais indigestos para a Academia, vamos esperar pra ver e torcer.

22/02/2011

Get Back

Woke up, got out of bed / Dragged a comb across my head / Found my way downstairs and drank a cup / And looking up I noticed I was late // Found my coat and grabbed my hat / Made the bus in seconds flat / Found my way upstairs and had a smoke / and somebody spoke and I went into a dream

#01 - Magical Mystery Tour, d'os Beatles [1968]
"Roll Up! Roll up for the mystery tour!" Quem diz que aquela cena de "I Am The Walrus" em Across The Universe é psicodélica, é que nunca assistiu à isso. Psicodelia não são simples cores e efeitinhos, é sim o que este filme mostra. Sua total falta de coerência e outros requisitos básicos do cinema são elementos essenciais de sonhos, coisa que achei que faltou em A Origem (ao menos nas partes de sonho, numa interpretação básica do roteiro). Sensacional, este filme pode ser considerado por muitos Muito Ruim, mas se for, de tão ruim, ele deu a volta e ficou Excelente!

#02 - Let it Be, de Michael Lindsay-Hogg [1970]
Já não se pode dizer o mesmo do último filme dos Beatles, um triste quase-documentário do final da banda, que já não tem todo o entrosamento de antes. Um pouco melancólico, vale pela famosa cena deles tocando no telhado (eles foram lá especialmente para a gravação) (alguns diriam que também vale pela cena de John e Yoko dançando, mas como tem a Yoko, não vale a pena). Além disso, as versões que eles tocam das músicas são diferentes das dos dois Cd's (Let it Be [1970] e Let it Be...Naked [2003]), com destaque para "Two of Us".

#03 - The Doors, de Oliver Stone [1991]
É um filme do Doors, que se foca no mitológico Jim Morrison, e na parte do mito, nas loucuras e em suas brisas. Não gostei, e agora que só falta Platoon dos principais trabalhos do Oliver Stone, começo a desconfiar de seu talento. O filme per si é bom, nada mais. Não fala de nada além do Jim muito louco, e não adianta reclamar de material, que tinha de sobra para fazer um filme de 3 horas, quiçá dois. Pra mim, por enquanto, só Assassinos por Natureza dele que é espetacular (com a ajuda do Quentin também né...)

#04 - When You're A Strange, de Tom DiCillo [2009]
Já gostei um pouco, mas ainda insuficiente. Ele diz um pouco mais sobre a música e a relação da banda, mas deveria falar mais sobre a música e da poesia de Jim. Estão vendendo artistas como popstars (que foram, mais muito mais profundos no que faziam).

#05 - O Sexto Sentido, de M. Night Shyamalan [1999]
O Bruce Willis é realmente incrível, o que ele não tem de talento dramático ele tem de escolher papéis. Já Haley Joel Osment (o menininho) esbanjou talento dramático em tela, e gastou tudo. Com uma estória original e um excelente roteiro, Shyamalan acendeu a faísca de um novo grande diretor, mas o vento apagou também. Este filme é o dos que eram para ser e não foram e do que não era e foi. Imperdível, conhecidíssimo, só não acho o clássico que dizem por conta do final: a sacada é genial, mas ficou meio mastigadinho, sabe? Ia ser mais interessante se ficasse em aberto para especulações.

#06 - O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme [1991]
Espetáculo de atuações, roteiro, direção, tudo. Um filmaço! Foi a confirmação do talento da ex-atriz-mirim Jodie Foster e a consagração de Anthony "Hannibal" Hopkins.

#07 - Gênio Indomável, de Gus Van Sant [1997]
Um filme muito bom, mas que não me tocou tanto quanto aos outros, pelo que me parece.

#08 - Ratatouille, de Brad Bird [2007]
Este é um dos melhores filmes da Pixar, é espetacular em todos os sentidos. E em especial neste discurso do Rèmy, após seu pai lhe mostra a violência do mundo: "Não, não Pai, eu não acredito. Você está me dizendo que o futuro é, só pode ser, essa matança? - [Essa é a natureza, Filho. Você não pode mudá-la] - A natureza é a mudança, Pai. Nós podemos mudar, e começa quando você quiser". Estes (Pixar's) não são filmes só para crianças.

#09 - Ilha do Medo, de Martin Scorcese [2010]
Assisti no dia 1/1/11, feliz da vida por ter tomado um Engov! E que filmasso! Na minha opinião, deveria estar entre os 10 melhores de 2010. Neste filme me convenci do DiCaprio, nem imaginava o que estava me esperando...

#10 - Cidade de Deus, de Fernando Meirelles [2003]
A grande obra brasileira lá fora. Re-assisti e gostei até mais que da primeira vez. É um clássico tupiniquim. E apesar de toda a ação, faz uma boa análise sociológica do processo de favelização no Brasil.

#11 - A Origem, de Chris Nolan [2010]
Depois de assistir, aquele estalo: "Caralho! Que Filmasso!". Depois, analisando friamente, não é tão ~asso assim por um simples motivo: poderia ser mais. Alguns filmes não se tem o que acrescentar, mas este tinha. É ótimo, vai ficar marcado pois lançou um ótimo tema: os sonhos. Mas faltou mais sonho, mais incongruências - tudo bem, o filme ficaria sem sentido, mas pelo menos na parte do limbo, eles poderiam fazer um visual mais psicodélico, aquele cidade cinza lá é um sonho pra lá de infértil.

#12 - Taxi Driver, de Martin Scorcese [1976]
Meu Deus, que filme. Uma desconstrução psicológica de um personagem perturbado num ambiente mais perturbado ainda: as ruas criminosas de Manhattan, NY, a noite. Um ser alienado, que absove tudo que vê: violência e pornografia e fica cansado disso. Sua resposta é a única que ele conhece: a violência. Para alguns, o filme é muito "parado". Acontece que ele se passa através dos olhos de Travis Bickle (DeNiro, GENIAL), uma sombra na cidade, que não age até explodir, que não consegue conversar por não ter qualquer habilidade social e por se distrair facilmente. Seu receio com negros e vagabundos é simplesmente o que seu meio o ensinou, assim como sua violência. Genial em todos os aspectos, palmas para Scorcese, DeNiro, Jodie Foster, Harvey Keitel, Bernard Hermann, Paul Schrader....

#13 - Nascido Para Matar, de Stanley Kubrick [1987]
Obra-prima de Kubrick = redundância. Os filmes de Kubrick abordam a natureza humana, portanto são psicológicos, não vá esperando um filme de guerra, cheio de ação. Genial como sempre, Stanley disseca a vida militar durante a guerra do Vietnã. Desde o treinamento, seus absurdos, suas ridicularidades (hilário) e a transformação que aquilo causa com a mente de um sujeito. Na guerra, os generais continuam boçais; os soldados, perdidos, mal-organizados e morrendo. Um questionamento a guerra e a violência, principalmente, a boçalidade humana.

#14 - A Rede Social, de David Fincher [2010]
Excelente. Muitíssimo bem dirigido (melhor que A Origem, em assuntos de Oscar) e tecnicamente perfeito. Tocar "Baby You're a Rich Man" no final foi a cereja no bolo. Confirmou que 2010 foi um bom ano de filmes (estava achando horrível até então) e que David Fincher aprendeu a ser apreciado por todos, ainda sim, prefiro Clube da Luta e Seven.

#15 - Lolita, de Stanley Kubrick [1962]
De Kubrick não preciso mais falar, certo? Me lembrou muito Psicose, e achei melhor que tal em se tratando de uma análise a psicose. A natureza humana de novo retrata, desta vez pelo "amor": ciume, libido, psicose, loucura... Nos filmes de Kubrick todos os personagens conseguem ser escrotos, este não é uma exceção, mas Peter Sellers está demais! Principalmente na abertura, me imagino quem conseguia não rir durante as filmagens... deve ter sido dificíssimo! Pena não podermos assistir do jeito que Stanley queria, mas a falta do sexo tornou tudo mais implícito e ficou, de certo modo, bem mais atraente.

#16 - Stanley Kubrick: A Life in Pictures, de Jan Harlan [2001]
Um documentário básico sobre a vida de Kubrick. Vale a pena assistir, tem ótimas entrevistas de quem trabalhou com ele, e conta bem como foi sua vida e como ele era. Tem alguns spoilers dos filmes, então, cuidado.

#17 - Cisne Negro, de Darren Aronofsky [2010]
Perfeito. O Melhor filme de 2010 e com certeza um dos melhores da década que se acabou. Natalie Portman está em uma das melhores interpretações do cinema. Um filme sutil, nervoso, sexy, perfeito. A releitura moderna, visceral e crua do ballet clássico O Lago dos Cisnes é o próprio Cisne Negro. Merece um post gigantesco próprio, pois abre para alguma interpretações, além de ser um Filmasso, de arte, que merece ganhar todos os prêmios a que concorrer, mas não vai, pois é sempre assim. Para ler uma ótima análise psicológica clique aqui.

#18 - Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, de Michel Gondry [2004]
Foi o oposto do que aconteceu com A Origem. Primeiro pensei "só isso?", no dia seguinte "nossa! esse filme é muito bom!". É uma simples estória de românce, muito mais original que as enlatadas hollywoodianas. Os amantes não são lindos, bem-sucedidos e felizes; são mal-arrumados, perdidos por aí, soltos na vida. O fato deles apagarem uns os outros das memórias podem levantar debates de várias naturezas, desde a psicológica até a sociológica. E interessante ver que todos que apagaram suas memórias apaixonaram-se novamente pela mesma pessoa, e mesmo ouvindo tudo que ela disse que mais odeia nela, aceitarem o desafio de viverem juntos novamente, isso é amor.

#19 - Clube da Luta, de David Fincher [1999]
Síntese do homem moderno. Em breve com mais comentários, terei uma aula de filosofia sobre ele e passarei tudo a limpo aqui, hehe.

#20 - Brazil - O Filme, de Terry Gilliam [1985]


#21 - Bravura Indômita, de Joel & Ethan Coen [2010]
E a busca cessou. É achado o melhor filme de faroeste desde Os Imperdoáveis. Um filme excelente, com uma estória diferente do comum (agora sou obrigado a ver o filme original) e tecnicamente perfeito. Creio que deve ser melhor que o original por não ter todo aquele lance patriótico americano, mas ainda assim não é o melhor filme dos Irmãos Coen.

#22 - Estômago, de Marcos Jorge [2007]
Um excelente filme brasileiro que poucos conhecem. Trabalhando com a percepção do espectador, utiliza a comida somente como pano de fundo ("Coxinha boa pra caralho!") para uma estória muitíssimo mais interessante e original, que ainda é beneficiada pelas excelentes montagem e trilha sonora, além da atuação do nosso protagonista Raimundo Nonato (João Miguel). Supreendente, mostra que nem tudo é como parece, além de denunciar (ainda que de forma indireta) um sistema carcerário corrupto e ineficaz.

27/11/2010

Balanço do Mês: 2nd-Half-Novembro

Os times voltam ao gramado, o juiz apita e comeeeça o segundo tempo!

#01 - O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla (1968) - Muito Bom!
Um excelente filme brasileiro que vai contra o movimento contra o Regime Militar, o Cinema Novo. Chamado de Cinema Marginal, tem uma narrativa completamente diferente dos filmes hollywoodianos e critica fortemente o Regime com muita ironia (o delegado Cabeção é ótimo!).

#02 - Arquitetura da Destruição, de Peter Cohen (1992) - Esperava outra coisa
Eu sou fascinado por história, e os movimentos fascistas são MUITO interessantes. Este filme fala de todo o perído nazista na alemanha (1933-1945), mas seu foco é a arte no nazismo, apesar de interessante é bem chato (eu prefiro geo-política, que é deixada de lado), e o anti-semitismo, contada de uma maneira bem parcial. É interessante, mas não o teve o foco que eu esperava, fora a forte monotonia.

#03 - Rede de Intrigas, de Sidney Lumet (1976) - Top10
Que Filme! Merece seu próprio post! É uma crítica muito bem feita aos meios de comunicação em massa (então uma crítica a si mesmo) e à índole humana.

#04 - Yellow Submarine, de George Dunning (1968) - Muito Bom!
Muito diferente dos filmes de animação a que estamos acostumados, este é um delírio para os Beatlemaníacos, além de conter vários easter-eggs da "mitologia" Beatle, é um filme surrealista de primeira qualidade! (nossa, que comentário de contra-capa de DVD). Merece um post próprio assim como Across The Universe.

16/11/2010

Balanço do Mês: Outubro e Half-Novembro

Quanto tempo se passou, quantos filmes já vi, quantos outros preciso ver, quantas coisas pra fazer, pra falar, pra resolver, tudo nesse mês. É cara, tá corrido. Aqui vou fazer uns comentários sobre os filmes que lembro que vi, eles merecem um post próprio, mas tá dificil. Quando der, eu faço.

#01 - Tropa de Elite, de José Padilha (2007) - Sensacional
O próprio comentário do Tropa que fiz aqui no Le Gamaar (ver na caixa Melhores Resenhas) mostra minha admiração pelo franco crescimento do cinema brasileiro. O filme pode sim ser considerádo dúbio, pois é contado pelo ponto de vista do Capitão Nascimento, que defende todos os seus argumentos. Entretanto, numa análise mais fria e distante, percebemos toda a inteligência do roteiro. ATUALIZADO: Acabei de ler que na Europa, o Capitão Nascimento é visto como Vilão, ou seja, sob uma cultura diferente e alheio aos problemas retratados no filme, este foi "corretamente" interpretado.

#02 - Os Imperdoáveis, de Clint Eastwood (1992) - O melhor em 40 anos
Impecável.

#03 - Por um Punhado de Dólares, de Sérgio Leone (1964 - Itália) - Clássico
Primeiro filme da trilogia mais clássica dos Westerns, é um dos filmes mais referenciados do cinema, tanto quando se parodiam westerns, até na utilização de tomadas, planos, uso de músicas e construção de personagens.

#04 - Tiros em Columbine, de Michael Moore (2002) - Interessante
Revela uma faceta estadunidense medrosa, filha, principalmente, do governo Bush e do consumismo e patriotismo de um dos impérios mais estúpidos da história.

#05 - Tropa de Elite 2, de José Padilha (2010) - Um soco na cara!
Faz tempo que estou para escrever um post para a segunda obra-prima de Padilha. A impressão que ficou para mim é que ele desistiu de todas as sutilezas do primeiro filme, como citar Foucalt. Foi como se ele tivesse dito "Não entendeu o primeiro filme vagabundo? Então Toma!", fato que se mostra com ele tendo que desconstruir o agora Tenente-Coronel Nascimento.

#06 - Donnie Darko, de Richard Kelly (2001) - Superestimado
O filme possui vários pontos positivos, e tenho dúvidas se minhas reticências quanto ele sejam verdadeiras ou pelo fato de eu querer não gostar de um filme cultuado só pra falar que entendo. Eu não entendo, só tento aprender. No entanto, acho que falta maturidade na direção (comentário vago).

#07 - Cidadão Kane, de Orson Welles (1941) - Classicasso!
Também merece um post só dele, daqui a um tempo, pois tal filme merece ser bem estudado.

#08 - Um Parto de Viagem, de Todd Philips (2010) - Engraçadinho
O roteiro é fraco e algumas piadas são batidas. Mas eis que vem Zach Galifianakis e salva o filme! Ele é muito engraçado e compensa a falta de originalidade de Robert "Stark" Downey Jr. Uma coisa que me agradou bastante foi que eu lembrei bem do Assassinos por Natureza (filmasso que terá um post gigante) por conta das atuações de Downey Jr. e Juliette Lewis (a sumida voltou!) e por tocar "Sweet Jane" dos Cowboy Junkies, que compõe sua trilha sonora.

#09 - O Mágico de Oz, de Victor Fleming (1939) - Classicasso! [2]
No começo podem achá-lo tosco, mas Dorothy e toda a mitologia de Oz é uma das mais clássicas referências do cinema. Além de ser lindo, com uma excelente mensagem de vida, tem todo um contexto político-econômico da virada do século XIX para o XX nos EUA metamorfoseado nas personagens, leia-o aqui.

#10 - A Missão, de Roland Joffé (1986) - Histórico
Denuncia, brilhantemente, como foi construída a sociedade Latino Americana pelos Europeus, até a Norte Americana pode entrar no contexto. Também merece um post próprio. Com ótima atuação de DeNiro, no auge.

#11 - Sex and the City 2 - Fútil
Uma BOSTA! Muito Fútil e Bobo. LIXO FODA.

#12 - Santiago, de João Moreira Salles (2005) - Excelente
Documentário que vai muito além do tema Santiago, mordomo da família Salles. Trata da relação de duas pessoas (no caso João e Santiago), de velhice, de fantasiar e de como se faz um documentário.

27/10/2010

Donnie Darko [2001]

Desapontado. Assim foi como eu me senti ao final de Donnie Darko, estréia de Richard Kelly na direção e o grande papel de Jake Gyllenhaal ao lado de O Segredo de Brokeback Mountain. O filme está longe de ser ruim, mas não é um dos melhores filmes de todos os tempos como eu havia ouvido falar.

O filme é até muito bom, mas falta algo que você olhe e fale "Nossa Senhora! Esse filme é muito foda!". E pode se creditar isso à uma insegurança na direção, talvez por algumas imposições do estúdio ou pela inexperiência, fato é que pesou, tanto que Kelly não realizou mais nenhum grande filme.

O argumento é bom, as críticas são bem construídas e a atuação de Jake é excelente. O roteiro é inteligentíssimo, assinado pelo próprio diretor, e a trilha-sonora, super-estimada. O que mais me incomodou no filme é a semelhança estética com O Advogado do Diabo, como as nuvens correndo rápido para passar o tempo e os flashes de luz, da qual não gosto muito (apesar de achar o filme do Pacino bem legalzinho).

Donnie Darko adquiriu status de cult, e apesar de considerá-lo super-estimado, é muito bom e merece o título supracitado. As reflexões que ele possuem vários níveis, o mais baixo que é discutir a trama é bem complexo, até o maior, que é a relação de Donnie com a sociedade e as críticas feitas à ela, mais no aspecto humano que institucional.

21/10/2010

Tiros em Columbine [2002]

Como podemos definir Michael Moore, diretor de Tiros em Columbine? Um Gênio, um Messias, a reencarnação do Gandhi? Não, nada disso. Ele é apenas mais um americano, a grande diferença é que ele é um puta cara sensato.

Ele tem a cara de um americano médio, o jeito de um americano médio, até o peso de um americano médio. Seus filmes? Ficam fazendo média com o público, tal qual Nascido em 4 de Julho, uma crítica ao sistema americano que cai em contradição e utiliza clichês e sequências batidas. Como tocar What A Wonderful World numa sequência de cenas de violência e citações de fatos criminosos do governo estadunidense.

Entretanto devemos jogar seus filmes no lixo? Claro que não. Pelo contrário, todos deveriam assistí-los. Tanto os dirigidos, escritos e protagonizados por ele, quanto os produzidos, como o The Corporation (excelente). Eles dão o que pensar e discutir sobre a sociedade capitalista na qual vivemos, principalmente nos EUA, claro, mas como eles são "o centro do universo" mesmo, tá valendo.

Para mais informações leia esta resenha do Scream & Yell (em português). #ficadica

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10/10/2010

Paralelo #01: Por Um Punhado de Dólares [1964] & Os Imperdoáveis [1992]

Ambos protagonizados por Clint Eastwood, são clássicos do western. Entretanto enquanto um foi o grito de um novo modo de se fazer cinema, o outro foi uma homenagem e um ponto final num dos gêneros mais populares da história.

Em decadência na década de '60, os heróis perfeitos e arrumadinhos do western americano estavam fadados à geladeira. Eis que surge o italiano Sergio Leone e revoluciona o tema "oficializando" o western-spaghetti (que antes "engatinhava") com Por Um Punhado de Dólares, filme baseado no clássico samurai Yojimbo, de Akira Kurosawa.

Em seu filme não há maniqueísmo (a existência definida de Bem e Mal), o herói se suja, apanha e é tão escroto como seus inimigos, mas ainda tem sentimentos e por isso é muito mais humano. Outra característica é o simbologismo religioso, o protagonista chega à cidade numa mula, temos uma cena de um banquete que remete a Santa Ceia e após o protagonista ser dado como morto, ele retorna.

O terceiro grande expoente do cinema que surgiu nessa fita (além de Sergio Leone e Clint Eastwood) foi Ennio Morricone, um dos maiores compositores de todos os tempos. Suas músicas compõe uma trilha sonora incidental magnífica, que dá o tom do filme e define o Homem Sem Nome, protagonista vivido por Clint.

Sergio Leone e os westerns depois dele são um dos maiores influenciadores do cinema moderno. Quentin Tarantino, por exemplo, já disse publicamente que usa vários elementos dos filmes de Leone nos seus. Assim como os grandes filmes do cinema brasileiro da Retomada, como Cidade de Deus (muito influenciado por Tarantino, portanto, consequentemente, pelos westerns) e Tropa de Elite (a cena final, do "na cara não, pra não estragar o velório" é muito parecida com a cena final de Os Imperdoáveis).

Os Imperdoáveis, de 1992 é dirigido pelo próprio Clint Eastwood que, competentíssimo, mostra que aproveitou sua experiência com Leone. O filme segue os mesmos preceitos do western-spaghetti, entretanto, seus personagens são mais profundos e o roteiro mais denso. Ele trata da velhice (temas recorrentes de Clint) e da violência, tanto de quem faz, quanto de quem recebe, de quem a glamoriza e quem a quer esquecer.

Considerado na época ser o melhor western dos útllimos 20 anos, ou seja, de 1972 a 1992, ganhou vários prêmios, entre eles os Oscar's de melhor filme, diretor e ator coadjuvante. E, caso não surja um belo exemplar nos próximos 2 anos, será o melhor filme num período de 40 anos. O que não é pouca m.
Ambos os personagens de Clint são muito parecidos, pode-se até considerar um reprise. O Homem Sem Nome é quieto, sisudo, sem amigos e oportunista, está na cidade para ganhar dinheiro e tira de quem puder. Entretanto, ajuda Marisol e sua família e fica companheiro do dono do bar e do cara que constrói caixões.

Já William Munny é velho, tem Um amigo e é maduro, sua falecida esposa ensinara-o que a violência não compensa, e ele saíra dessa vida. Apesar disso, quando surge uma encomenda para matar um cara que cortara a cara de uma puta, ele aceita, mas o faz mais para se redimir de matador de mulheres e crianças do que pelo dinheiro.

Enquanto no filme de Sergio Leone quase todos são aproveitadores, no filme de Clint eles têm seu próprio senso de justiça e seus atos têm motivos, criando um protagonista e um antagonista opostos pelos interesses e ideologia.

Ambos os filmes são os extremos da vida do western moderno, um foi o precursor, e o outro um "desfecho" em altíssimo nível. Aluno número um da escola de Sergio Leone, Clint Eastwood motra que tem todo o potencial de ser um dos maiores diretores, pois o maior do cinema ele já foi, sendo maior que Stallone, Bruce Willis e qualquer outro mercenário, e até do que Wagner Moura.

Cross fade

Este Paralelo foi inspirado pelo Filme Ideal e pela enorme preguiça de escrever dois post's sobre filmes com tanta coisa em comum.
PS: Capitão Nascimento Rulez!

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